Falta de manutenção nos lagos Bolonha e Água Preta compromete abastecimento e biodiversidade.
Lago Bolonha: com está e como deveria estar; trabalhadores "amarram" ilha com cordas para evitar colapso do sistema de abastecimento/Fotos e Vídeos: Coluna.
o abrir a torneira, poucos moradores de Belém imaginam a longa e frágil jornada da água até chegar às casas - quando chega. O caminho da água potável passa pelo Parque Estadual do Utinga, área estratégica margeada pelos lagos Água Preta e Bolonha, hoje sob severa ameaça pela ausência de manutenção adequada.
O problema não se limita ao abastecimento humano: a degradação dos lagos atinge diretamente a fauna protegida do parque, expondo também a responsabilidade de órgãos ambientais do Estado, como o Ideflor e a Cosanpa.
Criado oficialmente em 2018, o parque abriga um dos principais hotspots de biodiversidade da Amazônia urbana, com mais de 300 espécies de fauna, incluindo centenas de aves, peixes, mamíferos e répteis. Entre elas, espécies ameaçadas como a ararajuba e o uiraçu-falso. O que deveria ser área de proteção ambiental tornou-se uma zona de risco.
O maior perigo está no Lago Bolonha, sob gestão compartilhada da Cosanpa, Ideflor e da OS Pará 2000. Quem passa pelo primeiro mirante vê apenas um extenso tapete verde, sem imaginar que cerca de 90% da lâmina d’água está tomada por vegetação aquática, fruto da falta de manejo contínuo.
É ali que pulsa boa parte do sistema de abastecimento da capital. A água é captada no rio Guamá e levada pela adutora até o Lago Água Preta, que a transfere para o Bolonha. Deste ponto, a água bruta segue por grandes canaletas, onde parte do tratamento ocorre ainda dentro do Utinga, em instalações da Cosanpa.
Depois dessa etapa inicial, a água é bombeada por uma grande adutora que acompanha a avenida João Paulo II até a sede da companhia, em São Brás, onde passa pelo tratamento final antes de chegar às residências. Qualquer falha nesse percurso compromete o abastecimento de Belém. E o risco deixou de ser hipotético.
Para auxiliar na melhoria da qualidade da água, os lagos receberam, anos atrás, plantas conhecidas como macrófitas, fundamentais para a chamada fitorremediação. Suas raízes absorvem poluentes, nutrientes dissolvidos e metais pesados, ajudando a manter o equilíbrio do ecossistema.
O problema é que essas plantas exigem remoção técnica e periódica, o que não vem ocorrendo com regularidade. Aguapés, mururé, baronesa, canaranas e outras espécies se proliferaram sem controle, prejudicando o fluxo de captação e colocando o sistema sob ameaça.
Segundo fonte ouvida pela coluna, as macrófitas podem se desprender e formar “ilhas” de vegetação que, empurradas por ventos e chuvas, podem atingir turbinas do sistema. O resultado seria interrupção do abastecimento de Belém por mais de dez dias.
Outro risco é o material vegetal ser lançado no extravasor do Lago Bolonha, próximo ao mirante, provocando alagamentos nos bairros do Curió, Marco e Águas Lindas. A ausência de manutenção, alerta a fonte, configura crime ambiental.
O quadro é considerado crítico. Mesmo que o serviço fosse iniciado agora, o nível mínimo de intervenção já não garantiria efeitos imediatos. “A vegetação está em um estágio quase sem volta”, diz a fonte.
Os lagos estariam sem manutenção desde setembro do ano passado, período marcado por chuvas intensas, que aceleram a proliferação das plantas. O excesso de vegetação favorece a contaminação da água e o acúmulo de resíduos sólidos.
A limpeza do Lago Bolonha exige manejo especializado. “Não é um serviço que pode ser feito por qualquer empresa”, alerta a fonte, que critica a execução atual do trabalho por uma empresa de tratamento de piscinas, considerada tecnicamente inadequada.
Antes da privatização, esse serviço era realizado por servidores especializados da Cosanpa, quando a companhia ainda era estatal. Em julho do ano passado, a empresa foi leiloada e adquirida pela Aegea, que criou a Águas do Pará, responsável pelo abastecimento e saneamento em Belém, operando com forte terceirização.
O complexo de captação do Utinga começou a ser estruturado no final do Século XIX, durante a gestão de Antônio Lemos, como parte da modernização da capital. Inicialmente, o sistema utilizava águas de igarapés como Catu, Buiuçuquara, Antão, Murutucum e Água Preta.
Na metade do Século XX, políticas federais de saneamento impulsionaram a captação no rio Guamá. Hoje, os lagos Água Preta e Bolonha ainda são responsáveis por cerca de 80% do abastecimento da Região Metropolitana de Belém.
O Parque Ambiental do Utinga, com a reforma do complexo de captação, foi inaugurado em 1993, na gestão de Jader Barbalho.
Atualmente, o que se vê é um esforço improvisado para desobstruir o sumidouro do Bolonha, usando facões, enxadas e trabalho braçal. Uma solução emergencial, frágil e de curta duração, que exigirá manutenção constante.
Enquanto isso, o coração do sistema que abastece Belém segue batendo em ritmo de risco, à espera de uma ação técnica, coordenada e urgente - antes que o colapso deixe de ser alerta e se transforme em realidade.

•A Justiça do Trabalho informa que o processo movido pelo Ministério Público do Trabalho contra a empresa Mejer Agroflorestal Ltda. segue em tramitação.
• Como saiu aqui, a empresa foi condenada em primeira instância ao pagamento de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 4 milhões, revertidos à entidade filantrópica a ser indicada pelo autor, além de custas processuais de R$ 30.029,96.
•A decisão foi reformada pela 4ª Turma TRT-8. No entanto, em recurso de revista, a 6ª Turma do TST, sob a relatoria da ministra Kátia Arruda (foto), restabeleceu integralmente a condenação original, por unanimidade, ao que a empresa apresentou embargos de declaração, ainda pendentes de julgamento no TST.
•Agora, a boa notícia, embora o processo ainda se encontre na fase de conhecimento, aguardando apreciação pela instância superior: até o momento, não há qualquer impedimento judicial à continuidade das atividades econômicas da empresa, segundo o Tribunal.
• Sabe o piloto acusado de prática de abuso sexual de menores? Além de preso, foi afastado do trabalho por decisão de ministro do STJ. Em casos dessa natureza no Pará, só falta mandar prender a vítima.
• Congratulações aos coleguinhas do Congresso em Foco, que chega aos 22 anos de profícua atuação hoje com jornalismo independente, transparente e focado nos bastidores.
• A reunião sobre cacau no Ministério da Agricultura, em Brasília, na quarta-feira, 11, foi desastrosa, segundo participantes.
•Não houve o menor avanço na pauta sobre a suspensão das importações de cacau da África e a revogação da instrução normativa, porque as sugestões foram ignoradas.
•As reclamações são da Associação dos Produtores Rurais Independentes da Amazônia, a Apria, que tem apoio do deputado federal Airton Faleiro, do PT, que também promete envolver partidos e parlamentares em busca de uma solução.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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