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LAGO AZUL

Aterros pressionam nascentes e acendem alerta no condomínio em Ananindeua

Relatos indicam que alterações em área sensível sinalizam risco de esvaziamento do principal ativo ambiental.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 22/04/26 12:30

Contraste urbano: padrão elevado do residencial e áreas densamente ocupadas do Conjunto Cidade Nova, colocando o lago em risco/Fotos: Divulgação.


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Condomínio Lago Azul, em Ananindeua, voltou ao centro de preocupações ambientais após denúncias de que nascentes responsáveis pela alimentação do lago central teriam sido aterradas. O risco, segundo moradores e fontes ligadas ao residencial, é direto: comprometimento do nível de água e eventual secagem do lago que sustentam a identidade paisagística e o valor imobiliário do empreendimento.

A área sob suspeita inclui um dos grandes lotes recentemente negociados dentro do condomínio. Após o início de obras, surgiram relatos de que pontos de afloramento de água - fundamentais para a recarga natural do lago - teriam sido cobertos. Caso confirmado, o episódio pode configurar intervenção irregular em área de preservação permanente, passível de sanções administrativas e responsabilização ambiental.

Causa e efeito

A possibilidade de colapso hídrico não é inédita. Segundo registros internos, a própria coordenação do condomínio já havia sido alertada sobre a fragilidade do sistema que mantém o lago. Embora ampliado artificialmente ao longo das décadas, o espelho d’água depende de um conjunto de nascentes e pequenos cursos naturais - hoje pressionados pela expansão imobiliária no entorno e dentro do próprio residencial.

Moradores relatam percepção de redução no volume de água e defendem a necessidade de medidas emergenciais, como perícia ambiental independente e eventual recomposição das áreas afetadas.

Valor e contraste

Criado na década de 1980, o Lago Azul consolidou-se como um dos endereços mais exclusivos da Região Metropolitana de Belém. Com imóveis que partem da faixa de milhões de reais, o condomínio simboliza o modelo de ocupação fechada, com grandes lotes e forte apelo paisagístico.

Imagens aéreas recentes reforçam o contraste urbano: de um lado, o padrão elevado do residencial; de outro, áreas densamente ocupadas do conjunto Cidade Nova. O lago, nesse cenário, funciona como eixo simbólico e ambiental - agora sob risco.

Histórico de incidentes

Não é a primeira vez que o condomínio enfrenta questionamentos ambientais. Em 2022, moradores foram multados após a morte de um pirarucu em área de “pesque e solte”. O caso resultou em sanção administrativa baseada na Lei nº 9.605/1998, após ausência de autorização para pesca.

Na ocasião, o órgão ambiental municipal informou a abertura de processo e aplicação de multa. O episódio levou à proibição definitiva da pesca no lago.

Pressão crescente

Diante das novas denúncias, cresce a pressão por apuração formal e eventual atuação de órgãos ambientais. A depender da confirmação técnica sobre danos às nascentes, o caso pode evoluir para medidas de reparação ambiental e responsabilização dos envolvidos.

Nos bastidores, a avaliação é de que, sem recuperação das fontes naturais de abastecimento, o lago - principal ativo do condomínio - pode deixar de existir.


Papo Reto

A Rádio Clube do Pará, a poderosa e famosa PRC 5, completa hoje 98 anos. Foi fundada em 1928 pelo “magnhéfico” Edgar Proença (foto), Roberto Camelier e Eriberto Pio, falecidos. Parabéns à equipe da emissora. 

•Marcelo cunhou uma expressão muito bacana: “dizem, mas apenas dizem”, que o Ecad arrecada horrores de direitos autorais, mas carece de transparência nos repasses.

Na semana passada, uma equipe de jornalismo da TV Record Belém foi assaltada em uma rua da periferia de Belém, logo depois de uma reportagem ao vivo.

•O Sindicato de Jornalistas do Pará foi informado, conversou com um dos profissionais sobre o ocorrido e enviou ofício à Segup cobrando providências para investigações rigorosas sobre o fato.

O sindicato ressalta que o assalto reforça a necessidade de investimentos na segurança dos trabalhadores, com a manutenção de equipes de reportagens completas com motorista, repórter cinematográfico e repórter de vídeo, e que a diminuição de membros das equipes aumenta a insegurança a que todos estão expostos.    

•O grupo Marajoara, responsável pela rádio Mix FM, em Belém, e dois radialistas da emissora foram responsabilizados em ação movida pelo MPF que reconheceu a prática de discurso de ódio, preconceito e xenofobia por meio da rádio e dos profissionais.

A decisão é resultado de uma ação civil pública proposta após a veiculação, em 2018, de comentários considerados ofensivos contra os refugiados indígenas da etnia Warao. 

•A emissora vai veicular, diariamente e por seis meses, uma campanha radiofônica educativa em defesa dos direitos e da cultura do povo indígena.   

Um levantamento inédito do Ministério da Justiça revelou que metade das mortes causadas por policiais no Rio de Janeiro, nos últimos 15 anos, está concentrada nas mãos de um grupo muito pequeno.

•O jornalista Lauro Jardim mostra em sua coluna em “O Globo” que, dos cerca de 45 mil policiais do Estado, 371 agentes, menos de 1%, estão envolvidos em 50% dos casos de letalidade.

O estudo associa esses mesmos agentes a episódios que levantam fortes suspeitas de corrupção. Os dados da violência no Estado em 2025, divulgados pelo Instituto de Segurança Pública, confirmam o peso dessa letalidade: 797 mortes por intervenção policial, um aumento de 13% em relação a 2024. 

•No mesmo período, 19 policiais, sendo 13 militares e seis civis, foram mortos. O ano passado foi marcado pela operação nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte, que deixou 121 mortos.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.