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Meio Ambiente

Barco apresentado na COP30 vira laboratório de descarbonização com hidrogênio

JAQ H1, 36 metros e fabricado no Brasil, opera com hotelaria alimentada por hidrogênio; testes avançam agora para a combustão do motor

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  • Da Redação
  • 25/10/26 18:00
Barco apresentado na COP30 vira laboratório de descarbonização com hidrogênio

São Paulo, SP -  O hidrogênio verde começa a transformar promessas de longo prazo em uma nova frente de investimentos no Brasil. Projetos ligados ao combustível devem ultrapassar R$ 108 bilhões em investimentos até 2029, segundo estimativas da Associação Brasileira da Indústria do Hidrogênio Verde (ABIHV). Embora a produção em larga escala ainda dependa da maturação de projetos, infraestrutura e contratos de compra, aplicações práticas já começam a testar como o combustível poderá ser incorporado a setores de difícil descarbonização, entre eles o transporte marítimo.


No setor, uma dessas experiências já está em andamento. O JAQ H1, embarcação brasileira de 36 metros criada para funcionar como laboratório flutuante, é um dos pioneiros no país na aplicação do hidrogênio verde em condições reais de navegação. Apresentado durante a COP30, em Belém, o barco integra o projeto JAQ Hidrogênio Verde, idealizado pelo presidente do Grupo Náutica, Ernani Paciornik.


“A transição energética é um processo de longo prazo e exige pesquisa, testes e desenvolvimento de soluções que possam funcionar em condições reais. O propósito do nosso projeto é justamente contribuir para essa construção. Hoje, o JAQ H1 está em Santa Catarina, onde passa pelos testes de comissionamento do sistema de hidrogênio, uma etapa importante para validar o abastecimento, a segurança e a operação da tecnologia a bordo. Queremos gerar conhecimento, reunir dados e mostrar, na prática, como o hidrogênio pode ser incorporado à navegação brasileira. É um caminho que não acontece de um dia para o outro, mas que precisa começar agora para que o setor esteja preparado para as próximas décadas”, afirma Paciornik. 


Desde a apresentação do JAQ H1 na COP30, em novembro do ano passado, o hidrogênio já era utilizado na chamada hotelaria de bordo. Sistemas como ar-condicionado, iluminação, televisores, micro-ondas e outros equipamentos auxiliares são alimentados integralmente por células de combustível de hidrogênio.


Agora, o projeto avança para uma nova etapa, com a aplicação do combustível também na motorização. A embarcação utiliza motores dual-fuel da alemã MAN, preparados para operar com uma mistura de 20% de hidrogênio e 80% de diesel. Segundo o idealizador, essa configuração pode reduzir em até 80% as emissões de dióxido de carbono (CO₂). 


O projeto JAQ Hidrogênio Verde prevê investimento privado estimado em R$ 150 milhões e já avança para uma segunda embarcação. Com 50 metros de comprimento, o JAQ H2 tem previsão de início de sua etapa de adaptação tecnológica em 2027, com prazo estimado de 18 meses de obras. A embarcação terá como principal diferencial a capacidade de produzir o próprio hidrogênio a bordo.


Para isso, o projeto prevê a instalação de um eletrolisador que utilizará água do mar dessalinizada, com apoio de fontes renováveis de energia disponíveis na própria embarcação. A expectativa é que o JAQ H2 seja o primeiro barco do mundo capaz de gerar seu próprio hidrogênio verde, o que reduz a dependência de infraestrutura externa de abastecimento.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.