Casa do Estudante de Abaetetuba sofre com negligência e risco de fechamento Novo projeto cria programa nacional de defesa pessoal para as mulheres Entre o discurso e o cartório, casa própria no Pará é apenas uma "simples promessa"
Descaso

Casa do Estudante de Abaetetuba sofre com negligência e risco de fechamento

Mobilização nas redes sociais e pelas ruas da cidades mostram resistência estudantil frente o descaso da prefeita Francineti Carvalho, sobre o assunto

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 21/03/26 08:00

Estudantes se reuniram em frente à Prefeitura de Abaetetuba para protestar/Vídeo; Divulgação


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caminho até a conquista de um diploma universitário é, muitas vezes, tortuoso e recheado de farpas. Mas o que fazer quando parte desses obstáculos vem daqueles que deveriam, por direito de ofício, podar os espinhos que dificultam a vida de quem aposta tudo nesse sonho? Até mesmo encarar a solidão de morar em outra cidade durante os anos de luta numa universidade?

Saltando da hipótese para a realidade, estudantes do município de Abaetatuba que residem em Belém lutam contra o tempo e a negligência institucional para manter aberta a Casa dos Estudantes de Abaetetuba, que abriga, no bairro da Cidade Velha, em Belém, 22 estudantes universitários que cursam o ensino superior na capital.

Há mais de 50 anos em funcionamento, o espaço está diante do risco real e iminente de encerrar as atividades depois de ter sido considerado insalubre pelo Ministério Público do Estado, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Defensoria Pública do Estado e IPHAN. Laudos emitidos por essas instituições afirmam que há riscos reais de saúde e falta de dignidade aos estudantes.

Zero preocupação

Em reunião realizada em 20 de fevereiro passado, a prefeita de Abaetetuba, Francineti Carvalho, do PSDB, reafirmou que não tem interesse na manutenção da Casa. Em alto e bom tom, a gestora afirmou que  “não atenderá às demandas apresentadas” e que “não dispõe de previsão orçamentária para reforma ou encontrar um novo espaço”. Ela declarou, ainda, que atender às demandas “estimularia a existência da Casa”.

Os alunos contrapõem que essa postura “revela uma escolha política excludente, materializada na negação de condições mínimas de funcionamento, como manutenção estrutural, segurança, colchões e materiais básicos, configurando omissão deliberada e violência institucional”.

A Casa dos Estudantes de Abaetetuba reafirma a “legitimidade histórica e social e que seguirá resistindo, mobilizando a sociedade e as instituições competentes em defesa do direito à educação e à permanência estudantil”, afirmam os estudantes.

Histórico de descaso

Num caso semelhante, a Casa de Estudantes Feminina de Abaetetuba foi fechada em 2009 deixando cerca de 30 mulheres sem teto, em Belém. De acordo com uma das alunas ouvidas pela Coluna, “a Casa do Estudante sempre foi um instrumento fundamental de inclusão educacional” para os universitários que buscam melhorar de vida por meio do ensino superior.

Para os estudantes, esse suporte está longe de ser um privilégio. É, antes de tudo, condição mínima para permanecer na universidade. “A Casa existe justamente para acolher quem vem de longe, quem não tem condições de pagar aluguel e quem luta diariamente para transformar o futuro através da educação. É inadmissível receber a notícia de que a Prefeitura quer fechar a Casa dos Estudantes”, afirmou outro estudante.

Luta antiga e injusta

Em maio de 2025, a Casa dos Estudantes de Abaetetuba recebeu a visita institucional do Núcleo de Defesa dos Direitos Humanos da Defensoria Pública do Pará, para quem foram apresentadas as demandas estruturais urgentes e o risco iminente de fechamento.

O órgão se comprometeu em acompanhar a luta dos estudantes e, em agosto do ano passado, a Justiça reconheceu os direitos dos moradores da Casa e determinou que a Prefeitura de Abaetetuba, em até 15 dias, realocasse quem era assistido pelo projeto para  um espaço digno, além de ser obrigada a apresentar um plano emergencial de reformas para o local.

A decisão, embora provisória, deveria ter efeitos imediatos, mas nunca foi cumprida. Na última quarta-feira, 18, os estudantes fizeram uma manifestação contra o fechamento da Casa do Estudante de Abaetetuba na praça do Barco, centro da cidade.

Na ocasião, os manifestantes alertaram as autoridade sobre o risco de que um realocamento dos estudantes acabe se tornando uma manobra para retirar os residentes  e estender a obra por um período tão longo que o esquecimento acabe dando lugar à desistência. É o famoso ‘se correr, o bicho pega; se ficar, o bicho come’.

Papo Reto

O TSE confirmou a condenação de Pablo Marçal (foto), multado em R$ 15 mil, por propaganda eleitoral abusiva durante a campanha municipal de 2024

• A punição teve como base declarações contra o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, classificado por Marçal como 'canalha' e ‘covarde’.

E olha que este é apenas um entre tantos processos que Marçal enfrenta na esfera eleitoral.

• O Centro Acadêmico de Psicologia da UFPA manifestou descontentamento com a discussão em torno do Projeto Político Pedagógico.

O Centro afirma que a reformulação está sendo um processo marcado pela falta de diálogo, reuniões com clara ausência de alunos e falta de transparência nas pautas.

• Para o colegiado, a presença de movimentos estudantis é o caminho para resolver dificuldades históricas enfrentadas pelo curso de Psicologia da instituição.

O município de Boituva, no interior de São Paulo, tenta retomar a prática do balonismo como turismo depois que vários acidentes marcaram o setor, em 2025.

• O projeto ‘Decola Boituva’ reúne fábricas de balão, hotéis, bares e restaurantes em ação que divulga, além das atividades, as novas normas da Anac para o balonismo.

A Subseção da OAB/PA de Castanhal manifestou e o Ministério Público acolheu denuncia contra a Prefeitura pelo fechamento da área de mata na rua Paes de Carvalho.

• No local, vivem dezenas de cães e gatos comunitários sem donos que são alimentados por moradores e protetores independentes.

Para esses órgãos, o fechamento do espaço priva os animais de alimento e água, o que, praticamente, os sentencia à morte.

• Um total de 28.203 chaves Pix de clientes da Pefisa S.A. tiveram dados vazados, informou nesta sexta, 20, o Banco Central.

Esse foi o terceiro incidente com o Pix em 2026 e o 23º desde o lançamento do sistema instantâneo de pagamentos, em novembro de 2020.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.