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BISTURI POLÍTICO

Celso Sabino segura decisão na reta final da janela partidária

Ex-ministro evita ruptura, calibra movimentos e tenta viabilizar projeto próprio ao Senado.

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  • Por Coluna Olavo Dutra
  • 03/04/26 08:00
Celso Sabino segura decisão na reta final da janela partidária
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menos de 20 horas para o fechamento da janela partidária, o ex-ministro do Turismo do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Celso Sabino, vive o que, nos bastidores, já é chamado de “parto laborioso”. Bem posicionado nas pesquisas, ele evita bater o martelo e prefere operar com bisturi - abrindo caminho, com precisão, para viabilizar uma candidatura competitiva ao Senado.

 

Ex-ministro tem até a meia-noite de hoje para definir rumo político; na reta final da janela, há duas opções em curso/Fotos: Divulgação.

Ao contrário do que circula em redes sociais e grupos de WhatsApp, Sabino não deve retornar ao União Brasil por qualquer tipo de intervenção direta de Lula. A saída do partido, como se sabe, foi marcada por pressões internas e rearranjos políticos que ainda ecoam - e com os quais o ex-ministro segue dialogando, mas sem indicativo de retorno automático.

No tabuleiro atual, dois caminhos estão postos. O primeiro é a filiação ao Partido Democrático Trabalhista, legenda da base aliada do grupo do agora ex-governador Helder Barbalho, que lhe abriria espaço formal para disputar o Senado. O segundo é compor como vice na chapa da atual governadora Hana Ghassan, que assumiu o Executivo com a saída de Helder.

Nenhuma das alternativas, até aqui, foi descartada publicamente. Mas também nenhuma foi abraçada.

“Meu senador”

Chamado por Lula, às vésperas da COP30, de “meu senador”, Sabino recebeu reiterados convites de Helder para integrar a chapa majoritária como vice. Não recusou - o que, na política, é diferente de aceitar. O movimento revela mais cálculo do que hesitação: manter canais abertos com os dois polos de poder e preservar margem de manobra até o último minuto possível.

O problema é que o espaço não é infinito. Helder já se movimenta como protagonista da disputa ao Senado e leva consigo o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, deputado Chicão Melo, também pré-candidato. Nesse arranjo, a luz é pouca - e, como se comenta nos bastidores, não atravessa duas candidaturas no mesmo campo.

Para Sabino, a equação é simples e dura: ou constrói um caminho próprio agora, ou corre o risco de passar os próximos quatro anos orbitando uma vice-governadoria - com visibilidade, mas sem protagonismo.

Ruído e pressão

O ambiente político, como de costume em reta final de janela, é dominado por especulação. Em Belém, circularam versões de que Sabino retornaria ao União Brasil por imposição de Lula e de que Chicão Melo estaria destinado a compor como vice na chapa governista. Nenhuma das duas resistiu a uma checagem mais cuidadosa - mas ambas ajudam a inflamar o cenário.

No Partido dos Trabalhadores, o clima também está longe de ser pacificado. A legenda, que esperava maior protagonismo na composição majoritária, vê crescer a possibilidade de ficar restrita a espaços secundários, como suplência ao Senado - o que, internamente, já é tratado como rebaixamento.

A tensão se concentra em torno do senador Beto Faro. Lideranças como Dirceu Ten Caten, Zé Geraldo e Airton Faleiro pressionam para que ele recue da articulação que envolve a pré-candidatura de seu filho, Yuri Faro, à Câmara.

Beto Faro, por sua vez, não dá sinais de recuo. Mantém o projeto familiar em curso, que inclui ainda a tentativa de reeleição da deputada Dilvanda Faro.

O efeito colateral é imediato: o grupo de Dirceu Ten Caten já avisou que não aceita solução de acomodação como suplência e pressiona por candidatura própria à Câmara Federal - movimento que embaralha ainda mais o planejamento interno do partido.

Seja qual for a conta, o silêncio se abate sobre as congregações evangélicas que andaram frequentando a bolsa de aposta eleitoral, mas nada é descartado neste intrincado cenário. 

Contagem regressiva

Com o relógio correndo, o que se vê é um jogo de alto risco, em que decisões estratégicas estão sendo empurradas até o limite do prazo. No caso de Sabino, o silêncio fala alto. Cada hora sem definição é, ao mesmo tempo, uma tentativa de ampliar opções - e o risco de vê-las desaparecer.

Como em toda cirurgia delicada, o sucesso depende menos do tamanho do corte e mais da precisão do gesto - quando não, do uso de fórceps.

Papo Reto

O ex-deputado Wladimir Costa (foto) ensaia retornar à Câmara Federal nas eleições deste ano, pelo Podemos. Não aparece em pesquisas, ao contrário da sua arquiinimiga, Renilce Nicodemos, segundo a Doxa, primeira do ranking Top 10.

•A operação recente da Polícia Federal em São Paulo, que mira um esquema de lavagem de dinheiro com suposta ligação ao crime organizado, começa a produzir ecos bem mais perto do que muita gente gostaria.

Entre os alvos, aparece a menção a um ex-sócio da Fictor Invest - braço de investimentos de um grupo com tentáculos que, segundo bastidores, também alcançam o Pará. E é aí que o assunto esquenta.

•Nos corredores, já se fala em conexões com empresa sediada em Belém, dessas que operam terceirizações e acumulam contratos de peso. 

Tudo ainda no campo das indicações e cruzamentos preliminares, mas suficiente para acender alerta em quem conhece o mapa local.

•Se a investigação avançar na mesma direção, o que hoje é ruído pode virar manchete - e com impacto direto no tabuleiro político e empresarial daqui.

Por enquanto, é aquela velha história: ninguém confirma, mas também ninguém trata como invenção.

•O documentário “Dona Onete - Meu coração neste pedacinho aqui”, que mostra a vida e obra da cantora paraense visitando locais onde ela morou, como Igarapé-Miri, foi selecionado para o Hot Docs Canadian International Documentary Festival.

Será exibido nos dias 27 e 30 de abril. O filme é uma produção da Conspiração Filmes, tem direção de Mini Kerti e estreou no Festival de Cinema do Rio, ano passado. 

•A Conspiração Filmes é a produtora de Cláudio Torres e Andrucha Waddington, filho e genro da atriz Fernanda Montenegro, respectivamente, que tem no currículo filmes como “Vitória” e “Velhos Bandidos”, atualmente em cartaz nos cinemas de todo Brasil.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.