Licitação da CPH tropeça de novo no próprio roteiro e trata o previsível como falha formal Concurso que deveria premiar mérito expõe ruídos, silêncios e bastidores nervosos Cigarro ilegal é a engrenagem invisível do crime organizado e Pará está na rota
CARTÓRIOS VAGOS

Concurso que deveria premiar mérito expõe ruídos, silêncios e bastidores nervosos

Problema começa quando parte da vacância das serventias do Estado parece invisível aos editais do Tribunal de Justiça.

  • 441 Visualizações
  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 16/02/26 08:35
Concurso que deveria premiar mérito expõe ruídos, silêncios e bastidores nervosos
O


Concurso de Remoção das Serventias Extrajudiciais, tradicionalmente tratado como um dos marcos da carreira notarial e registral, passou a ocupar espaço desconfortável nos bastidores do Tribunal de Justiça do Estado. O que deveria ser sinônimo de progressão funcional virou motivo de cochichos, desconfiança e vigilância redobrada.

 

Comentários apontam que mesmo antes da publicação oficial, nomes de supostos aprovados já circulam nos corredores do Judiciário/Fotos: Divulgação.

A remoção é o caminho natural do delegatário: acesso a serventias mais estruturadas, melhor localizadas e, não raramente, com faturamento muito superior - especialmente na Região Metropolitana de Belém e na capital. Exatamente por isso, exige rigor técnico, transparência e absoluta isonomia.

Critérios elásticos

As serventias em disputa são cartórios vagos, em sua maioria em razão do falecimento de antigos titulares, o que eleva o interesse e acirra a concorrência. O problema começa quando parte dessas vacâncias parece invisível aos editais.

Há serventias relevantes ocupadas por interinos, apesar da vacância formal, situações já questionadas no Conselho Nacional de Justiça, mas ausentes tanto do concurso de remoção quanto do de provimento. Em contraste, outras unidades foram incluídas com celeridade pouco comum, mesmo diante de vacâncias recentes. O critério, ao menos externamente, não se explica.

Resultado antes...

Antes mesmo da publicação oficial, nomes de supostos aprovados já circulam nos corredores do Judiciário. O efeito é imediato: inquietação entre registradores e tabeliães, clima de expectativa máxima e leitura atenta de cada movimento.

Nos bastidores, comenta-se que o número de inscritos foi expressivo, mas o contingente de aprovados tende a ser restrito. A conta não fecha - e, quando a matemática falha, a confiança costuma ir junto.

Mérito seletivo?

O ruído aumenta diante da percepção de que delegatários com forte atuação institucional, ligados à direção da Anoreg, estariam entre os nomes mais ventilados como aprovados. Em sentido oposto, profissionais reconhecidos pelo domínio técnico, trajetória acadêmica e experiência em concursos teriam sido reprovados.

No meio notarial, a leitura é direta: intensa dedicação institucional dificilmente se concilia com preparação profunda para um certame desta envergadura. Já reprovações de quadros experientes soam, para muitos, difíceis de explicar sob critérios estritamente técnicos.

Diante do cenário, cresce a vigilância sobre a comissão organizadora. A cobrança é clara: decisões objetivas, fundamentadas e impessoais. Em um concurso já marcado por ruídos, qualquer sombra pesa em dobro.

Denúncia no horizonte

Nos bastidores, o movimento é inequívoco. Representações estariam prontas, aguardando apenas a divulgação oficial do resultado para seguirem ao CNJ. A mensagem da classe é curta e grossa: eventuais inconsistências, favorecimentos ou seletividades pouco transparentes não serão naturalizadas.

O Concurso de Remoção, que deveria simbolizar mérito e evolução profissional, corre o risco de se transformar em mais um episódio de desgaste institucional. Em tempos de lupa acesa, silêncio e opacidade costumam falar mais alto - e quase nunca a favor.

Papo Reto

·A Justiça Eleitoral decretou a exclusão definitiva do perfil @fofoquei_portodemozpa, no Instagram, por supostamente manter um esquema de chantagem e vazamento de segredos íntimos. 

·Os administradores da página cobravam valores em dinheiro das vítimas para remover posts difamatórios ou até para revelar quem enviava as "fofocas" anônimas. 

·O juiz Marcus Fernando Camargo Nunes Cunha Lobo (foto), da 82ª Zona Eleitoral de Porto de Moz, confirmou que a liberdade de expressão não protege o anonimato, nem crimes. A sentença aponta que a página usava a privacidade alheia como moeda de troca para manipular as eleições. 

·A Nova Doca, inaugurada em outubro de 2025, está sendo vandalizada. No final de semana, pessoas que passaram por lá denunciaram a estrutura quebrada.

·O que se diz também é que outros pontos da cidade, como o Parque Linear da Tamandaré e a Praça Brasil, enfrentam o mesmo problema.

·Não se vê, nessas áreas, a Guarda Municipal, mais empenhada em fazer blitz no trânsito, em vez de cuidar do patrimônio público.

·Coisas que só acontecem em Belém: cansado de esperar – depois de registrar oito protocolos na prefeitura - pela troca de uma luminária pública em frente à residência, cidadão de Icoaraci comprou a lâmpada, contratou eletricista e resolveu a situação.

·Não vêm de hoje as reclamações da população contra prefeitura, que jura de pés juntos que implementou uma tal "telegestão do sistema", com canais para a população solicitar serviços exclusivamente pelo aplicativo ou pelo 0800. Nome pomposo para tamanha enganação.

·O MPF pediu multa de R$ 354 mil contra o município de Belém por não acolher adequadamente pessoas em situação de rua.

·Vistorias revelaram que cumprimentos alegados pela prefeitura são fake e que a população segue sem assistência adequada.

·Voltando ao tema: a ocupação da ciclofaixa por carretas sempre foi um problema crônico na avenida Arthur Bernardes, onde a antiga Semob diz ter autuado em um ano cerca de 40 carretas, todas próximas ao terminal de Miramar.

Mais matérias OLAVO DUTRA

img
Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.