Corte atinge custeio, pesquisa e assistência estudantil, agrava crise estrutural e expõe contradição entre discurso oficial e prioridade orçamentária.

ano de 2025 se encerra com uma certeza indigesta para o ensino superior público: as universidades federais entrarão em 2026 com menos dinheiro do que tinham em 2025. Não é força de expressão. É conta fechada.

Levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), a partir do Projeto de Lei Orçamentária Anual aprovado pelo Congresso Nacional na sexta-feira, 19, aponta um corte de quase R$ 500 milhões no orçamento das 69 universidades federais do País - entre elas, as do Pará.
O valor aprovado ficou em R$ 6,43 bilhões, contra os R$ 6,89 bilhões previstos inicialmente. A diferença: R$ 488 milhões a menos, uma redução de 7,05% nas despesas não obrigatórias, justamente aquelas que mantêm as instituições funcionando no dia a dia.
Na prática, o corte atinge contas de luz e água, contratos terceirizados, bolsas acadêmicas, insumos de pesquisa, compra de equipamentos e manutenção básica. A Andifes classifica o cenário como “agravamento de um quadro já crítico”.
O dado mais sensível é que, mesmo sem considerar a inflação, o orçamento aprovado para 2026 fica quase meio bilhão abaixo do que foi efetivamente gasto em 2025. Ou seja: as universidades terão menos recursos para fazer mais - ou, simplesmente, para sobreviver.
Entre os setores mais atingidos está a assistência estudantil, pilar da permanência de alunos de baixa renda no ensino superior. O projeto de lei retirou R$ 99,9 milhões da área, o que representa 7,3% do orçamento previsto. Programas de moradia, alimentação, transporte e permanência estão diretamente ameaçados, assim como a implementação da Política Nacional de Assistência Estudantil (Pnaes), instituída pela Lei nº 14.914/2024.
O Fórum Nacional de Pró-Reitores de Assuntos Estudantis (Fonaprace), órgão assessor da Andifes, alerta que o corte coloca em risco avanços históricos na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público.
“A permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade fica seriamente comprometida”, afirma a entidade, que também destaca perdas adicionais nas Escolas Técnicas Vinculadas às universidades federais, com redução de 5,63% nos recursos de assistência.
A crise não se limita às universidades. Segundo a Andifes, Capes e CNPq também sofrerão impactos relevantes, afetando bolsas de pós-graduação e financiamento à pesquisa científica.
“Estamos diante de um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão, de ameaça à sustentabilidade administrativa das instituições e à permanência estudantil”, diz a nota oficial da associação.
Outro ponto sensível é que os cortes incidiram de forma desigual entre as universidades, atingindo ações essenciais e ampliando assimetrias regionais - um problema recorrente em um país que já convive com profundas desigualdades no acesso à educação superior.
As entidades reconhecem o diálogo mantido com o Ministério da Educação, mas são categóricas: sem recomposição imediata, o sistema entra em rota de colapso administrativo. O episódio expõe uma contradição estrutural: enquanto o discurso oficial reafirma a centralidade da ciência, da inovação e da inclusão social, o Orçamento aprovado pelo Congresso faz o caminho inverso, comprimindo justamente as áreas que sustentam esses objetivos.
No tabuleiro político-institucional, o corte nas universidades não é apenas um ajuste fiscal. É uma escolha - e seus efeitos recaem sobre pesquisa, formação profissional, desenvolvimento regional e mobilidade social.
Em 2026, as universidades federais não pedirão expansão. Pedirão para continuar existindo.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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