Da Havaianas à Nike usada por Maduro no ato da prisão, episódios expõem como a polarização transforma publicidade e vestuário em códigos ideológicos e reduz debate a símbolos fáceis de consumir
política contemporânea encontrou nas marcas um atalho eficiente - mas arriscado - para comunicar posições, gerar pertencimento e mobilizar afetos. Em um ambiente saturado de informação e marcado pela polarização, símbolos reconhecíveis substituem argumentos complexos. Foi assim com a campanha de fim de ano feita no Brasil pela marca de sandálias Havaianas e, guardadas as devidas proporções, ocorre agora com a marca Nike em um episódio de amplitude internacional que mistura imagem, poder e consumo.

No comercial das Havaianas, a marca propôs começar 2026 “com os dois pés”, rompendo com a expressão “pé direito”, o que logo foi interpretado como ataque à direita no ambiente polarizado em que o Brasil se encontra. As reações envolveram pedidos de boicote à marca e muitas discussões nas redes sociais, com destaque na mídia nacional e internacional, impactando inclusive no mercado, apesar da rápida recuperação das ações da empresa, que chegaram a cair 3% na bolsa. Além disso, a polêmica abriu margem para outras marcas de sandálias surfarem na crise da Havaianas.
No caso da Nike, foi uma imagem que atravessou fronteiras. Após o presidente dos EUA, Donald Trump, divulgar a fotografia do líder venezuelano Nicolás Maduro detido, algemado e vendado, um detalhe de enquadramento chamou a atenção em nível global: o agasalho cinza usado por Maduro foi logo identificado como um conjunto da marca Nike que tem até nome próprio: “Nike Tech Fleece”.
Para além da ironia do destino que reside em uma marca norte-americana, nascida nos Estados Unidos, estar vestindo um líder adversário justamente na hora da sua prisão pelos EUA, o fato também bastou para acionar leituras de contradição ideológica, pequenas narrativas e, claro, os memes que povoam a internet.
A prova da relevância da associação da marca ao cenário está no interesse quase instantâneo despertado pelo fato retratado. De acordo com o portal Poder 360, as buscas pelo termo “Nike Tech Fleece” dispararam no Google ao longo do sábado, 3 de janeiro, data na qual foi realizada a operação militar norte-americana que culminou com a captura de Maduro e da primeira-dama Cilia Flores. Ambos foram detidos em Caracas e levados para Nova York, nos EUA.
De acordo com o Google Trends, o número de pesquisas saltou de 11 buscas por volta das 8h44 do sábado para 100 buscas às 21h32 da mesma data (horário de Brasília), um aumento equivalente a 809%. Quem fez as buscas também teve a oportunidade de saber os valores. No Brasil, a jaqueta é vendida no site da marca por R$ 949,99. A calça sai por R$ 759,99.
A coluna ouviu o jornalista, professor e cientista político Rodolfo Marques (foto acima), que interpreta os episódios como parte de um mesmo fenômeno. Para ele, marcas hoje funcionam como “bandeiras portáteis” e condensam narrativas complexas como liberdade, rebeldia, status, globalismo ou nacionalismo, em objetos imediatamente reconhecíveis. “Em ambientes de alta polarização, o consumo vira discurso: vestir uma marca passa a comunicar pertencimento sem exigir explicações longas”, destaca ele.
Rodolfo aponta ainda o papel da mídia e das redes na amplificação simbólica: “quando a política entra nesses contextos, o sinal ganha tração midiática; imagens virais, memes e cobertura jornalística consolidam a marca como um atalho narrativo”, explica.
Ele lembra que o possível ganho a ser considerado, que seria a velocidade com que esse debate corre, é superado pela perda da densidade do debate. “A marca vira um ‘atalho narrativo’ que as mídias ajudam a consolidar. Politicamente, isso revela uma transformação mais profunda: a estetização da política e a politização do consumo. Por um lado, democratiza a participação simbólica; por outro, empobrece o debate ao reduzir posições complexas a imagens. Quando marcas ‘substituem’ argumentos, o risco é confundir engajamento com performance”, alerta ele.
O encurtamento do debate em símbolos não é neutro. Ele cria incentivos para campanhas calcularem cada palavra como potencial gatilho ideológico, para consumidores performarem identidade por meio de boicotes relâmpago e para o jornalismo disputar atenção com recortes cada vez mais visuais. Rodolfo Marques lembra que o resultado é “um ecossistema em que o sentido se desloca do conteúdo para o enquadramento, no qual uma sandália ou um agasalho podem carregar mais peso político do que programas, dados ou decisões”.
No curto prazo, empresas aprendem a gerenciar crises; no médio, ajustam linguagem e riscos; no longo, a pergunta permanece: quem ganha quando a política vira figurino? A resposta parece apontar para a lógica da viralização, não necessariamente para a qualidade do debate público.
Fundada em 1964 como Blue Ribbon Sports, por Phil Knight e Bill Bowerman, a Nike adotou o nome atual em 1971, inspirado em Niké, a deusa grega da vitória. A sede global fica em Beaverton, no Estado do Oregon, EUA. O conjunto visto na imagem de Maduro é vendido no Brasil por R$ 949,99 (jaqueta) e R$ 759,99 (calça). Valores e origem que, deslocados para o centro da cena política, ilustram como o consumo passou a falar, e bem alto, às vezes no lugar dos argumentos.

•A Agência Nacional de Mineração destacou o Pará como maior Estado minerador do Brasil, suplantando Minas Gerais, com destaque para o ferro, bauxita, cobre e manganês.
•O representante paraense na Agência, José Fernando Gomes Jr (foto), tem atuado para ampliar a compensação financeira pela exploração de recursos minerais e trazer mais divisas para a região.
•Logo, logo trabalhadores autônomos - marceneiro, pedreiro, cabelereira, pintor, eletricista ou até diarista - perceberão que, ao emitirem notas fiscais de serviço em seus respectivos CPFs, pagarão um quarto de tudo que faturarem ao governo.
•Detalhe: o governo aposta na desinformação, escondendo do cidadão que se ele emitir a mesma nota pelo CNPJ - na qualidade de MEI, Microempreendedor individual -, essa taxação praticamente desaparece, não passando de R$80.
•Brasil pode perder até US$ 3 bilhões em receita com imposto chinês sobre a carne, que pode chegar a 55%, diz a Associação Brasileira de Frigoríficos.
•O regime de cotas específicas para importação do produto, imposto pela China, também azedou a vida dos produtores brasileiros que pagam preço alto por sua eficiência e, principalmente, pela fragilidade de um governo.
•Com mais de 20 medidas provisórias em tramitação, o Congresso inicia 2026 com uma pauta carregada.
•As propostas tratam principalmente de créditos extraordinários, trabalho, meio ambiente e políticas sociais, com prazos de votação concentrados entre fevereiro e abril, mesmo durante o recesso parlamentar.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.