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CURRAL ELEITORAL

Deputado do MDB chama desafeto de "palhaço" e ameaça em nome do governo

Parlamentar integra grupo político que poderia regulamentar lei do táxi-lotação, mas prefere apoiar a ilegalidade e manobrar categoria.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 17/05/26 11:00

Curto e grosso, deputado Wanderlan Quaresma manda recado: ‘isso não vai ficar assim./Foto: Divulgação.


E


m ano eleitoral, as estratégias para conquistar votos variam em contextos e gestos - a depender de quem e como se dá a relação entre o político e o eleitor. Há quem agrade, quem convença, quem compre e quem ameace. Nesse último caso, o deputado estadual Wanderlan Quaresma, do MDB, é direto e claro: não reza cartilha, sofre consequências.

Nas redes sociais, circula um vídeo onde o deputado chama um homem, posteriormente identificado como Thiago e que atua junto às cooperativas de táxi-lotação do oeste do Estado, de “palhaço” apenas por ter atuado fora do que o parlamentar definiu como 'estratégia' para a categoria. Thiago é servidor público, advogado especialista e possui conhecimentos técnicos para trabalhar junto aos motoristas, como manda a lei.

“Ele (Thiago) sabe que os dias dele estão contados. É uma pessoa que não respeita, não é humano, faz as coisas da cabeça dele e não merece respeito. Eu tenho certeza que isso não vai ficar assim”, afirma Wanderlan. No vídeo, como em resposta a suposta denúncia, o deputado não esconde o descontentamento em dividir os louros pela viabilidade de circulação desses veículos.

Moeda de troca; e só.

Em jogo está a busca de votos da categoria como moeda de troca pela garantia de circulação nas cidades da região do serviço de táxi-lotação - aprovado em lei pela Assembleia Legislativa, mas pendente de regulamentação. O que o deputado espera é afastar qualquer tipo de fiscalização contra esses profissionais até que eles e seus familiares visitem as urnas, no dia 4 de outubro. Até lá, veste-se de divindade ao deixar claro que ‘quem não está com ele, está contra ele’.

 Legalidade ainda ilegal

A verdade é que a falta de regulamentação mantém o serviço de taxi-lotação tão ilegal quanto antes da aprovação da lei. Sem definição do PL aprovado na Assembleia, é impossível fiscalizar ou mesmo aplicar sanções simplesmente porque não há como saber o que seria permitido ou não à categoria. Por isso a Artran, agência que atua a partir da regulamentação e na fiscalização, segue 'lavando as mãos' sobre o problema. E com razão, diga-se de passagem, já que não há o que fiscalizar especificamente.

Dirigir sem amparo legal, no entanto, torna a atividade perigosa e sofrida. Em períodos de férias escolares ou feriados prolongados, quando a demanda de passageiros se torna bem mais intensa, por exemplo, uma série de conflitos entre motoristas de outros modais de transporte intermunicipal já legalizados e os profissionais de táxi-lotação tem sido registrado em diferentes regiões do estado, conforme já foi noticiado pela coluna.

Acima da lei

Na ausência da regulamentação da lei, o sindicato estadual da categoria chama para si a responsabilidade pela desordem e, para tanto, apoia-se em alguns políticos com ‘bagagem’ junto ao governo para que a atividade não sofra qualquer tipo de impedimento, sobretudo pela ausência prática da lei. Nessa estratégia entende-se parte do vídeo do deputado Wanderlan, que blinda o sindicato, seu presidente e todos que lhe prometem votos.

Esses profissionais circulam amparados por um crachá emitido pelo Sindicato de Táxi-Lotação do Estado, presidido por Edenilson Célio Favacho Neto, o “Cutaca”. Mas a medida é considerada meramente figurativa, já que não cabe ao sindicato regulamentar a lei. O poder do crachá entre os condutores, no entanto, é forte. Não basta ser motorista de táxi-lotação, tem que se filiar ao sindicato e apoiar a candidatura do deputado Wanderlan.

“Podem contar comigo, amigos do táxi-lotação. Foi um acordo com os nossos superiores de que o táxi-lotação não ia sofrer nenhuma penalização enquanto não terminasse a regulamentação”. E assim, amparados por quem se acha acima da lei, os motoristas seguem dirigindo pelas estradas do Pará com todos os riscos e inconvenientes que a atividade oferece. Gente honesta e trabalhadora que corre atrás de sustento e dignidade, mas que também busca uma garantia para além do interesse eleitoreiro.

Nessa fresta entra o oportunismo pontual de quem faz parte do grupo político que poderia resolver, de fato e de direito, a situação, mas que prefere, em ano eleitoral, substituir resolução por esperança, de modo que favor se converta em voto e, assim, seja perpetuado o bom e velho coronelismo que tanto elege políticos no Pará.

Papo Reto

Em ano eleitoral, o senador Beto Faro (foto) estaria aumentando a pressão sobre empresas terceirizadas que operam no Pará. Nos bastidores do setor, comenta-se que o foco seriam contratos ligados à licitações e postos de trabalho. 

•A acusação que circula é pesada: pressão para substituição de terceirizados por indicados ligados ao grupo político do senador. O assunto já começa a provocar desconforto em empresas e trabalhadores.

A saída do pastor Luiz Paulo abriu uma fissura rara na Igreja Cristã Maranata em Belém. Não por qualquer divergência doutrinária, mas pelo peso simbólico do religioso, apontado como fundador da denominação na capital paraense. 

•Entre um culto e outro, o que circula nos bastidores é uma mistura de vaidade, disputa por espaço e guerra silenciosa por influência interna. 

Fiéis mais antigos dizem que o desconforto é visível até nos corredores da igreja.

•A guerra política entre Igor Normando e Edmilson Rodrigues já ultrapassou os gabinetes e desembarcou nos grupos de WhatsApp da imprensa. 

O bate-boca entre Ariela Motizuki, chefe de gabinete do prefeito, e Enize Vidigal, assessora ligada ao ex-prefeito, expôs o nível de tensão em torno da crise habitacional envolvendo ex-moradores do Viver Pratinha. 

•Teve “amiga, procure se informar melhor” para cá e ironia para lá. Jornalista que estava no grupo só observava o tiroteio digital.

O episódio envolvendo ex-ocupantes do residencial Viver Pratinha virou mais um desgaste para a gestão de Igor Normando. Cerca de 50 pessoas foram chamadas para reunião na Secretaria de Habitação e descobriram, ao chegar, que o encontro havia sido cancelado. 

•Revoltados, ocuparam o prédio e só deixaram o local após negociação com integrantes da prefeitura. Na política, reunião cancelada com população vulnerável costuma custar caro.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.