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RESISTIR É PRECISO

Entre crise climática e abandono, Marajó reage e se articula pala sobrevivência

Mobilização transforma Marajó em referência de resistência ambiental e climática na Amazônia.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 27/05/26 17:00
Entre crise climática e abandono, Marajó reage e se articula pala sobrevivência


urante décadas, o Arquipélago do Marajó conviveu com uma espécie de naturalização da pobreza, do isolamento e do abandono institucional. Na região formada por 16 municípios e cerca de 590 mil habitantes, indicadores sociais alarmantes pareciam tratados quase como destino inevitável - sobretudo em cidades como Melgaço, que há anos carrega o estigma de pior IDH municipal do Brasil. Mas, silenciosamente, o Marajó começou a reagir.

 

Esforço comunitário permite, na prática, que região transforme vulnerabilidade histórica em capacidade de resistência/Fotos: Divulgação.

Longe dos grandes centros políticos e econômicos, organizações sociais, lideranças comunitárias, quilombolas, ribeirinhos e agricultores familiares passaram a construir redes locais de monitoramento, mobilização e enfrentamento dos impactos climáticos e sociais que afetam diretamente a região.

Clima monitorado

Uma das experiências mais emblemáticas desse movimento vem sendo conduzida pelo Observatório do Marajó, organização que atua junto a comunidades tradicionais por meio de tecnologias sociais e articulação territorial.

Desde 2024, o Observatório mantém um monitoramento contínuo do chamado “inverno marajoara”, levantamento feito diretamente com lideranças locais espalhadas pelos 16 municípios da região.

O primeiro boletim, divulgado em março deste ano, reuniu informações fornecidas por 77 lideranças comunitárias. Entre os problemas mais relatados estavam doenças respiratórias e viroses, interrupções no fornecimento de energia e internet, aumento de casos de diarreia e vômito, enchentes afetando a agricultura e processos de erosão em rios e praias.

No terceiro boletim, divulgado em maio, os dados mostraram agravamento de alguns indicadores. Chuvas intensas passaram a liderar as ocorrências apontadas pelas comunidades, seguidas novamente por doenças respiratórias, falhas nos serviços de energia e comunicação, enchentes e problemas sanitários.

Mais do que um simples levantamento climático, o monitoramento se transformou numa ferramenta de pressão territorial e de organização comunitária, permitindo que os próprios moradores sistematizem os impactos sentidos no cotidiano marajoara.

Na pauta política

A preocupação crescente com os efeitos das mudanças climáticas também começa a ganhar espaço institucional. Nos dias 28 e 29 de maio, o município de Soure sediará o encontro “Gestores pelo Clima”, reunindo representantes municipais, governo estadual, governo federal e organizações internacionais para discutir estratégias de adaptação climática no arquipélago. O encontro marcará ainda o lançamento da campanha “Marajó Unido pelo Clima”.

A programação prevê reuniões técnicas dos Comitês Municipais de Ação Climática de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Arari, além de debates voltados à criação de mecanismos permanentes de governança climática local.

Participam da iniciativa entidades como a Fundação Avina, o Instituto Internacional de Educação do Brasil, além do Ministério do Meio Ambiente, da cooperação alemã GIZ e de prefeituras da região.

Soluções no território

O projeto “Marajó Resiliente” surge justamente da percepção de que as mudanças climáticas já afetam diretamente a produção de alimentos, o deslocamento fluvial e as condições de saúde no arquipélago.

A proposta aposta em sistemas agroflorestais, agricultura familiar e assistência técnica voltada às comunidades tradicionais como estratégia prática de adaptação climática.

Um dos diferenciais do projeto está no protagonismo feminino e comunitário. Mulheres agricultoras, quilombolas e populações ribeirinhas passaram a liderar experiências produtivas sustentáveis que unem geração de renda, preservação ambiental e segurança alimentar. Na prática, o Marajó tenta transformar vulnerabilidade em capacidade de resistência.

O que o mundo vê

Enquanto parte do País ainda enxerga o arquipélago apenas pelos indicadores negativos, iniciativas sociais da região começam a ganhar reconhecimento fora do Brasil.

O Instituto Mondó, que atua desde 2020 em Breves, foi uma das três iniciativas brasileiras vencedoras da primeira edição do Prêmio Josué de Castro de Impacto Social, entregue durante o Brazil Forum UK 2026, realizado na University of Oxford, na Inglaterra. A premiação reconhece projetos voltados a soluções concretas para desafios sociais brasileiros.

Segundo dados do próprio instituto, as ações do Mondó já alcançaram cerca de 37 mil estudantes, 237 escolas e mais de 1.200 professores no Marajó, além de beneficiar direta e indiretamente aproximadamente 70 mil famílias.

Num território historicamente associado à ausência do Estado, os exemplos que surgem do Marajó começam a mostrar justamente o contrário: a força de uma sociedade que decidiu não aceitar mais a invisibilidade como destino.

Papo Reto

O fim da era Pep Guardiola (foto) no Manchester City mobilizou torcedores e ídolos do clube inglês. 

•Na despedida, o treinador foi homenageado com imagens dos principais títulos conquistados em dez anos, além da presença de ex-jogadores históricos, atletas do elenco atual e até do músico Noel Gallagher, torcedor símbolo do City.

A bola oficial da próxima Copa do Mundo Fifa 2026 já nasce cercada de tecnologia. Batizada de Trionda - referência aos três países-sede, Canadá, México e Estados Unidos -, ela registra dados de cada toque durante as partidas e fornece relatórios em tempo real. 

•Moderna até demais: a bola precisará ser recarregada após cada jogo para voltar a campo.

O governo federal endureceu as regras para plataformas digitais ao alterar a regulamentação do Marco Civil da Internet. 

•O decreto exige representante legal no Brasil, canal permanente para denúncias e mais transparência sobre publicidade, impulsionamentos e conteúdos patrocinados.

Flávio Bolsonaro passou a usar colete à prova de balas durante agendas da pré-campanha presidencial e disse que a medida foi tomada porque "não pode dar sopa ao azar", associando a decisão ao atentado sofrido por Jair Bolsonaro em 2018. 

•O uso de colete balístico por Flávio Bolsonaro repete estratégia já explorada por lideranças como Donald Trump e Javier Milei. 

Mais do que proteção pessoal, a imagem de candidatos blindados vira ferramenta de comunicação para reforçar discursos de enfrentamento, caos social e hostilidade institucional. 

•Pesquisa BTG/Nexus mostrou Lula numericamente à frente dos principais adversários testados para 2026. No 2º turno contra Flávio Bolsonaro, o petista aparece com 47%, contra 43% do senador.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.