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SAÚDE E DIGNIDADE

Indígenas de 14 etnias da região de Marabá pressionam por serviços nas aldeias

Ação mais recente contou com manifestação e bloqueio da BR-222 para forçar a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena em Carajás.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 05/05/26 17:00
Indígenas de 14 etnias da região de Marabá pressionam por serviços nas aldeias
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ma luta antiga, mas que jamais se fez tão necessária e urgente como agora. Indígenas de 14 etnias que integram a Terra Indígena Mãe Maria, nas proximidades da ponte do rio Flecheira, na saída do Núcleo Morada Nova, em Marabá, bloquearam a BR-22 em protesto, no último quarta-feira, 22, exigindo tanto a conclusão da Casa de Apoio à Saúde Indígena (Casai) de Marabá quanto a criação do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Carajás.

 

Tratamento de saúde fica em Belém, a cerca de mil quilômetros das aldeias /Foto: Divulgação.

A mobilização foi realizada em três frentes simultâneas e aproveitou a data de 19 de abril, quando celebra-se o Dia dos Povos Indígenas, para exigir melhorias no acesso e ações de prevenção e tratamento em saúde. Além da BR-222, os manifestantes também ocuparam as obras de construção da Casai de Marabá, que seguem paradas, e uma terceira parte do grupo foi a Brasília-DF protestar em frente à sede do Ministério da Saúde.

Pedidos dos indígenas

Os indígenas exigem a retomada imediata das obras da Casai Marabá, que foram iniciadas em 2024, mas interrompidas um ano depois, até hoje sem qualquer explicação. O projeto, localizado na Folha 32, deveria oferecer serviços médico, odontológico, de enfermagem e de acompanhamento de gestantes indígenas, além de outros atendimentos básicos de saúde. Sem a Casai, o suporte às comunidades permanece prejudicado e insuficiente.

A segunda reivindicação também tenta corrigir uma distração que há tempos é reclamada pelos indígenas: a construção de um DSEI em Marabá, que possui uma quantidade de comunidades indígenas muito maior do que na Região Metropolitana de Belém. O adendo é para explicar o funcionamento do atual DSEI Guatoc, que funciona em Belém, e também responsável por toda a demanda da região de Marabá e Santarém.

A distância até a capital - na casa dos 1000 km - torna muitos tratamentos e as demais ações de saúde praticamente inviáveis para muitos indígenas, sobretudo para os mais idosos e para quem possui problemas de mobilidade. As lideranças indígenas também disseram que por duas vezes tiveram a garantia, por meio do Ministério da Saúde, de que a portaria que criaria o DSEI Carajás seria assinada, mas a verdade é que o projeto nunca saiu do papel.

Novos protestos

A BR-222 foi liberada depois de um dia inteiro de interdição, mas as lideranças não descartam a realização de novas manifestações. No protesto desta semana, os indígenas reforçaram a principal reivindicação com frases como “Os 14 povos indígenas da região sudeste do Pará na luta pela criação do DSEI Carajás” e “Saúde de qualidade é vida para nós, povos indígenas”.

Enquanto os atos aconteciam em Marabá, uma comitiva indígena também se deslocou até Brasília, onde ocupou o Ministério da Saúde e participou de reuniões com parlamentares. A intenção, segundo as lideranças, é pressionar diretamente a Pasta para obter respostas tanto sobre a retomada da obra da Casai e quanto da criação do DSEI Carajás, considerado prioritário pelas comunidades.

Para os povos indígenas da região, essas duas medidas são essenciais para garantir um atendimento de saúde mais rápido, estruturado e adequado às necessidades das comunidades do sudeste paraense. Até lá, haja estrada, resiliência e paciência, seja para conseguir atendimento em Belém ou em Marabá, onde não precisa ser indígena para constatar o quanto a saúde também anda mal das pernas.

Papo Reto

Nesta quinta-feira, 7, a partir das 14, a Academia Paraense de Jornalismo promove a entrega da Medalha do Mérito Jornalístico aos jornalistas Adriano Wilkson, que faz trabalho investigativo; Socorro Costa, editora da Agência Pará; e Ray Nonato, fotojornalista freelancer.

•Além deles, Luís Miranda, cinegrafista com mais de 50 anos de carreira; Fernando Nobre Passarinho, fotojornalista; Vera Rojas, assessora de comunicação do Hemopa; e Natália Simões, repórter da Rede Nazaré de Comunicação.

E Marcio Oliveira, diretor executivo da rádio Jovem Pan Belém; Sancha Luna, apresentadora da Rádio Clube; e Rita Soares (foto), editora do jornal “O Liberal” e sócia-fundadora da agência Jambo Comunicação. 

•Theresa Kachindamoto, influente chef tradicional do Malawi, já anulou mais de 3.500 uniões infantis em sua região, desafiando tradições ancestrais, e garantiu que milhares de meninas pudessem trocar o papel de esposa pelo banco da escola. 

Conhecida como "A Exterminadora de Casamentos", Kachindamoto utiliza sua autoridade para suspender chefes locais que permitem a prática e trabalha diretamente com comunidades para banir rituais prejudiciais. 

•A liderança de Theresa transformou o Malawi em um exemplo internacional de proteção aos direitos das mulheres, provando que é possível modernizar costumes sem perder a identidade cultural.  

O deputado Max Lemos foi alvo de atentado na estrada enquanto retornava de agenda no Rio de Janeiro. Criminosos atiraram contra seu carro, mas o veículo era blindado, e ele conseguiu escapar. 

•Após invadir uma transmissão televisiva no Salão Verde, o assessor parlamentar Bernardo Moreira Amado Barros foi exonerado da Câmara dos Deputados. 

Durante entrevista em podcast, o ex-governador Romeu Zema criticou a proibição do trabalho infantil no Brasil e prometeu que mudará essa realidade se for eleito. Ou seja, salve-se quem puder.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.