Com 94 milhões de “dependentes”, Congresso aprova aumento de 390% no Fundo Eleitoral em um Estado que distribui emendas, não alfabetiza, não economiza e não dá segurança ao cidadão.
m monstro com a barriga cheia que meteria medo até em Thomas Hobbes. Se tivesse pousado no Congresso Nacional do Brasil, por certo Mr. Hobbes desistiria do seu “Leviatã”.

Sem metáforas, o Estado brasileiro encarna o monstro em carne, osso e gabinete refrigerado desde a última terça-feira, quando a Comissão Mista de Orçamento aprovou, simbolicamente – simbólico aqui quer dizer sem constrangimento –, um aumento de 390% no Fundo Eleitoral. O valor passa de R$ 1 bilhão para R$ 3,9 bilhões em 2026.
Se não é uma proeza, parece. O eleitor brasileiro não apenas entrega um cheque em branco ao político, mas também financia a impressão do cheque, o talão inteiro e, se possível, o cofre onde será guardado. Depois, assiste de camarote enquanto o eleito acomoda filhos, esposas, primos e até cachorros em cargos públicos. O Leviatã hobbesiano nasceu para proteger o povo do caos; o leviatã tupiniquim - com letra minúscula -, parece ter nascido para bancar churrascos eleitorais a R$ 3,9 bilhões a unidade.
Enquanto o ‘Fundão’ explode, as emendas parlamentares encolhem, o que não quer dizer que tudo está certinho e mensurado; muito pelo contrário. Do corte de 43% de R$ 81,4 bilhões, restaram R$ 46,4 bilhões em 2025. Os ministérios também foram para o abate: de R$ 310 bilhões, caíram para R$ 210 bilhões. O Leviatã é seletivo em sua dieta: mastiga emendas e engole o “Fundão” sem mastigar.
Na velha e amada Belém do Grão Pará resta um paradoxo: sede da COP30, a cidade tem R$ 4,9 bilhões injetados em obras e infraestrutura para receber líderes globais. Na vitrine, asfalto novo e fachada pintada; no quintal, escolas com crianças sem alfabetização plena e hospitais sem insumos. O Brasil é o país que corta no feijão para gastar no tapete vermelho.
Nada menos que 94 milhões de brasileiros dependem de programas sociais, conforme a Coluna Olavo Dutra já noticiou - quase metade da população em idade ativa. Mais da metade está no Bolsa Família. É uma legião inteira que o Estado mantém na coleira curta: o benefício garante sobrevida, mas não abre portas.
Enquanto isso, o ministro da Fazenda alerta que ‘a conta só fecha’ com mais impostos. O mesmo ministro que prega avaliação de desempenho para servidores - como se a estabilidade fosse um cheque em branco - não ousa propor avaliações de desempenho para o Congresso, dono do verdadeiro cheque em branco. Afinal, cobrar eficiência de professor é fácil; cobrar eficiência de deputado, suicídio político.
A carne bovina em Belém custa em média R$ 39,59 o quilo. Houve queda pontual em agosto, mas no acumulado de 12 meses o preço subiu quase 10%. Comer carne virou evento de luxo; feijão com ovo, mortadela e açaí, virou padrão alimentar - e aqui vai uma nota do redator: não me venham com essas de que açaí com camarão ou peixe frito é para qualquer um; não no Veropa, de onde - também - o feirante e o populacho financiam campanhas milionárias, mas não conseguem financiar o próprio almoço de domingo.
Na educação, a tragédia é cruel: só 59,2% das crianças do 2º ano da rede pública foram alfabetizadas em 2024 - a meta era 60% - e o resultado, um fracasso. No Pará, índios, quilombolas e crianças da periferia estão entre os desassistidos. Se o Leviatã fosse professor, estaria reprovado em alfabetização básica, mas, ainda assim, ganharia reajuste salarial.
Facções criminosas movimentam maquininhas, helicópteros e iates Brasil afora e Belém está no mapa. O monopólio da força, que Hobbes via como essência do Estado, virou sociedade anônima, ou seja, parte pública, parte paralela no Pará.
Para não perder o folclore - nem o fôlego -, a Polícia Federal flagrou fraude contra a aposentadoria do presidente Lula: alguém tentou transferir o benefício para uma conta no Pará. Ora, ora, ora, com todo o respeito: se até o chefe da Nação é vítima, “em quem te interessa a minha morte, Bakunin?"
No Brasil varonil, o cidadão comum precisa provar, com três certidões, que ainda está vivo para sacar o próprio benefício; financia compulsoriamente o banquete político; paga impostos escorchantes e as contas de campanhas e os juros e o almoço do Leviatã.

•O presidente Lula (foto) cumpre agenda no Pará hoje e amanhã. O presidente começa a visita por Breves, onde inaugura uma creche, de manhã.
•À tarde, em Belém, confere as obras do Porto Futuro II; percorre o Museu das Amazônias, que vai abrigar exposição “Amazônia “, de Sebastião Salgado; e o Centro Gastronômico e o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia.
•Amanhã, Lula visita as obras de macrodrenagem e urbanização do Canal da União; e vistoria o Parque da Cidade, local que vai sediar os eventos da COP30.
•À tarde, o presidente participa da inauguração do Parque Linear da Doca.
•O Ibama e a Polícia Federal estão com forte atuação na região de Dom Eliseu, Rondon do Pará, Abel Figueiredo e Jacundá envolvendo desmatamentos e serrarias irregulares.
•Ontem, os policiais fecharam serrarias em Rondon do Pará e Abel Figueiredo, conferindo e retendo madeira.
•Em Abel Figueiredo, o empresário Wenner Kenner tentou retirar madeira irregular retida em seu pátio, mas foi denunciado.
•Uma carreta de sua propriedade carregada com a madeira foi flagrada na BR-222, entre Abel Figueiredo e Bom Jesus do Tocantins, e inutilizada.
•Um trator de esteira foi apreendido numa aérea de fazenda entre os municípios de Abel Figueiredo e Rondon do Pará. O trator seria do vereador Fábio Lacerda, o “Manguinho”, do PSB, genro do ex-prefeito Hidelfonso Araújo, do MDB.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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