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No Brasil, chamados superendividados já ultrapassam casa dos 20,3 milhões, diz BC

País conta agora com "devedores de risco", mas Banco Central fala em "novas medidas” para reverter o quadro.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 29/10/26 09:00
No Brasil, chamados superendividados já ultrapassam casa dos 20,3 milhões, diz BC
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número de brasileiros em situação de endividamento de risco chegou a 20,3 milhões em junho de 2026, alta de 75% em cinco anos, informou na última terça-feira, 27, o Relatório de Estabilidade Financeira do Banco Central do Brasil (BC).

 

Número de brasileiros em situação de endividamento não para de crescer, segundo dados de junho deste ano/Foto: Divulgação.

O contingente representa 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional. Diante do avanço do problema, o presidente do BC, Gabriel Galípolo, afirmou que a instituição pretende anunciar novas medidas para conter ofertas agressivas de crédito ainda este ano.

Pará entra na lista 

Apesar de não ter um número isolado e oficial que contabilize os "superendividados" especificamente no Pará, uma vez que os relatórios regionais costumam focar em indicadores de endividamento gera, o Estado registra 3,1 milhões de pessoas com o nome negativado, somando um montante de aproximadamente R$ 16 bilhões em dívidas acumuladas. 

Dados da Federação do Comércio do Pará, Fecomércio, 74,5% das famílias paraenses possuem algum tipo de dívida entre cartão de crédito, carnês, empréstimos ou financiamentos. Embora alto, o índice local permanece ligeiramente abaixo da média nacional de 81,6%.

O “x” do endividamento

Ainda de acordo com o Boletim publicado pelo BC, 20,3 milhões de brasileiros estão em situação de endividamento de risco. A taxa de crescimento do contingente entre junho de 2021 e junho de 2026 ficou em 75%. A participação dos devedores de risco no sistema financeiro é de 17%. Pessoas que ganham até dois salários mínimos têm 42% da renda comprometida com dívidas.

Além disso, 15% dos “superendividados" estão com o orçamento comprometido com parcelas do cartão de crédito. Entre quem ganha mais de dez salários mínimos, esse comprometimento é de 18,6% do total da renda.

As novas medidas

Segundo o BC, as próximas iniciativas devem priorizar consumidores que já utilizam o crédito rotativo do cartão ou apresentam atrasos significativos no pagamento das dívidas. O banco registrou um crescimento de modalidades de crédito sem garantia, como cartão de crédito, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado, mesmo em um cenário de juros elevados.

Para classificar um consumidor como endividado de risco, o BC considera quatro critérios. É necessário atender a pelo menos dois deles: atraso superior a 90 dias no pagamento de parcelas de crédito, comprometimento de mais de 50% da renda mensal com dívidas, uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e crédito rotativo, e renda restante - após o pagamento das dívidas - abaixo da linha de pobreza.

A classificação não significa que todos os 20,3 milhões de brasileiros estejam inadimplentes, mas indica maior vulnerabilidade financeira. O relatório do BC mostra ainda que o comprometimento da renda com dívidas no cartão aumentou em todas as faixas salariais. Entre os que recebem até dois salários mínimos, grupo que reúne 61,2 milhões de pessoas, o comprometimento total chegou a 42% da renda em junho de 2026.

Papo Reto

• Lideranças indígenas estiveram esta semana em Brasília para cobrar proteção às comunidades yanomami, ampliação do acesso à água potável e continuidade de políticas públicas já iniciadas.

•As lideranças participaram de audiência na Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, ligada à Comissão de Direitos Humanos. 

•A presidente da Funai, Lúcia Alberta Baré (foto), disse que a recuperação de áreas afetadas pelo garimpo tem previsão de investimentos de R$ 37,3 milhões nos próximos cinco anos.

•A Prefeitura de Belém promove neste sábado, 31, uma feira de adoção de cães e gatos no Shopping Castanheira. O evento ocorre das 10h às 17h.

•A Fundação Guamá e as startups Combinô e TexBi abriram campanha para arrecadar 500 quilos de tecidos entre roupas e resíduos têxteis.

•As roupas em bom estado serão doadas. Os resíduos, que inicialmente iriam para o lixo, serão usados como matéria-prima na confecção de peças para arquitetura e design. As doações podem ser feitas no PCT Guamá, na Av. perimetral, em Belém.

•Nem tudo são flores para Flávio Bolsonaro nos EUA. Democratas do Congresso americano criticaram a proteção do governo Trump ao senador e a seus familiares.

•As manifestações questionam o tratamento dado ao brasileiro em meio à política migratória americana. O democrata Isaiah Martin chamou Flávio de “imigrante ilegal criminoso”.

•Já o deputado Joaquim Castro afirmou que “perder uma eleição não é motivo para pedir asilo” e completou dizendo que Trump está dando proteção a alguém investigado por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas”.

•O Tekoá - Centro de Gastronomia Social está com inscrições abertas até o dia 26 de outubro para 30 bolsas gratuitas no curso profissionalizante de Auxiliar de Cozinha.

•A oportunidade é voltada exclusivamente para jovens de 18 a 30 anos em situação de vulnerabilidade social. Inscrições no site da instituição.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.