Da dragagem no Tapajós ao 14º salário, em Belém, decisões públicas só mudam após pressão nas ruas e nas redes.
Sobre decisões administrativas que não prosperam ante a reação popular, caso da privatização do rio e dos funcionários da saúde/Fotos: Divulgação-Redes Sociais
velha marchinha que ensina que “quem não chora não mama” ganhou nova atualidade na sexta-feira, 6 - e não apenas no carnaval. Em escalas federal e municipal, decisões administrativas só foram revistas depois de protestos barulhentos, bloqueios e exposição nacional. Não por convicção, mas por pressão.
Após duas semanas de protestos de povos indígenas e moradores de Santarém, o governo federal suspendeu o Pregão Eletrônico 90515/2025, que previa a dragagem de manutenção da hidrovia do rio Tapajós, sob responsabilidade do Dnit. A decisão veio na noite de sexta-feira, por meio do Ministério dos Povos Indígenas, depois que o tema ganhou repercussão nacional - inclusive no “Jornal Nacional”.
Desde o anúncio do pregão, indígenas de 14 povos do Baixo Tapajós ocuparam o terminal da Cargill e, posteriormente, bloquearam a BR-163 e o acesso ao Aeroporto de Santarém. O alvo era a obra anunciada sem licenciamento ambiental e sem consulta prévia às comunidades, em afronta à Convenção 169 da OIT.
Vendida como avanço logístico, a dragagem foi encarada pelas comunidades como mais um capítulo da transformação de rios amazônicos em corredores de exportação de commodities, sem medir impactos ambientais, sociais e culturais. Lideranças alertam para alterações na pesca, na navegação local e no modo de vida tradicional.
Com a suspensão, o governo prometeu instituir um Grupo de Trabalho Interministerial para discutir os processos de consulta livre, prévia e informada, além de apresentar um cronograma específico para a concessão da hidrovia do Tapajós. Tudo aquilo que deveria ter sido feito antes – sem falar que “grupos de trabalho” são criados para não fazer.
No meio da grita, veio à tona que a DTA Engenharia, vencedora do pregão, acumula três autos de infração ambiental aplicados pelo Ibama entre 2018 e 2023, somando cerca de R$ 1,9 milhão. As autuações envolvem exatamente o tipo de serviço em disputa: retirada de sedimentos e adequações em canais de navegação.
No mesmo dia, em Belém, agentes comunitários de saúde e de combate às endemias bloquearam a avenida Governador José Malcher, em frente à Secretaria de Saúde, cobrando o pagamento do Incentivo Financeiro Anual - o chamado 14º salário da categoria. A verba, federal, já havia sido repassada, mas seguia retida.
O protesto, que incluiu ambulâncias do Samu, provocou congestionamento e irritou o prefeito Igor Normando, que pela manhã prometeu apuração e responsabilização “na forma da lei”.
À tarde, o tom mudou. Normando anunciou o pagamento integral do incentivo e falou em compromisso com o bem-estar dos profissionais de saúde. O mesmo compromisso que, curiosamente, só apareceu depois do bloqueio, da pressão e da exposição pública.
Fica a pergunta que atravessa Tapajós e Belém: se o direito é legítimo e o discurso é convicto, por que só funciona quando alguém grita?

•Algo segue tremendamente fora do lugar no turbulento mundo do transporte aéreo brasileiro, diz um assíduo leitor da coluna.
•Compara ele: como pode um voo Belém-Macapá-Belém, de 55 minutos, custar R$ 3.129,00? Lisboa-Dublin-Lisboa, com voo de 2h50, custa apenas R$ 666.
•O secretário de governo de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab (foto), descartou a candidatura de Tarcísio de Freitas à Presidência.
•Mediante o que chamou de “página virada”, Kassab reconheceu a consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro como o candidato ungido da direita.
•O PSDB acusou Gilberto Kassab de "canibalismo", após o PSD filiar seis deputados estaduais tucanos em São Paulo.
•A debandada reduz o PSDB a apenas dois parlamentares na Assembleia Legislativa e aprofunda a crise do partido em seu principal reduto histórico.
• Enquanto Kassab prepara o terreno para uma candidatura própria ao Planalto, Otto Alencar falou em alto e bom som durante cerimônia do governo: o PSD da Bahia apoiará Lula nessas eleições.
• Lula afirmou que a eleição de 2026 será uma "guerra" e declarou o fim da sua versão zen, o "Lulinha paz e amor".
• Lula afirmou ter conversado com seu filho Fábio Luís Lula da Silva após a citação dele nas investigações da CPMI do INSS. Segundo o presidente, ele pediu que Lulinha se defendesse e respondesse por eventuais irregularidades, caso existam.
• O STF decidiu por unanimidade que o caixa dois pode ser punido ao mesmo tempo como crime eleitoral e ato de improbidade administrativa.
• Com isso, políticos poderão responder na Justiça Eleitoral e na Justiça comum, com possibilidade de sanções como multa, prisão e suspensão dos direitos políticos.
•A disputa de herança protagonizada por Suzane von Richthofen levou à apresentação de dois projetos na Câmara dos Deputados que buscam aumentar o grau de parentesco previsto na indignidade sucessória. As propostas são de Dayany Bittencourt e Marangoni.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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