Com Dirceu Ten Caten longe do centro da campanha, chapa de Hana Ghassan administra uma equação delicada: precisa do PT e de Lula, mas talvez não queira mostrá-los o tempo todo.
á uma pergunta começando a circular nos bastidores da campanha de Hana Ghassan: onde está o vice?

Na fotografia da
candidatura, portanto, ele está lá. Na campanha, nem sempre - e é justamente aí
que começa a história, com cada um no seu quadrado.
A movimentação pode ser perfeitamente explicada pela velha
matemática eleitoral: dividir tarefas, ampliar presença territorial, aproveitar
redes políticas diferentes e fazer a campanha chegar onde o candidato principal
não consegue estar. Nada de anormal.
Na semana passada,
por exemplo, enquanto Hana circulava pelo Nordeste paraense, passando por
Santarém Novo, Primavera, Quatipuru, São João de Pirabas e Salinópolis, Dirceu
fazia seu próprio périplo pelo Marajó, em municípios como Portel, Breves e
Ponta de Pedras.
Cada um no seu quadrado é uma estratégia possível - e até
inteligente. Só que política tem dessas coisas: às vezes, a explicação mais
óbvia não é a única possível.
Hana precisa do PT.
Precisa da militância, da estrutura partidária, da capilaridade construída pela
legenda e, sobretudo, do eleitor que vota em Lula. Precisa também da ponte com
Brasília e do discurso de continuidade da parceria entre os governos estadual e
federal. Dirceu é justamente o elo mais visível dessa equação.
Só que Hana também precisa conversar com um eleitorado para
o qual a imagem de Lula não é necessariamente um ativo eleitoral, e nessa
fronteira a imagem física do vice começa a ficar invisível.
Nas regiões oeste,
sul e sudeste do Pará, entre setores ligados ao agronegócio, ao empresariado,
ao conservadorismo e às igrejas evangélicas, a associação automática com o
presidente pode produzir mais resistência do que voto. A campanha, então, teria
encontrado uma solução bastante paraense para um problema nacional: cada santo
no seu altar.
Não é segredo que a
eleição estadual terá de conviver com a eleição presidencial. E também não é
segredo que Lula tem eleitores fiéis no Pará, mas enfrenta resistência em
segmentos que estarão no radar de qualquer candidatura competitiva ao governo.
Pesquisa Datafolha
divulgada em agosto mostrou Lula à frente entre católicos, mulheres e eleitores
de menor renda, enquanto Flávio Bolsonaro aparece melhor entre evangélicos e
nas faixas de renda mais altas. O Pará não é uma planilha do Datafolha, evidentemente.
Cada região tem sua própria lógica, seus próprios candidatos e seus próprios
humores.
Mas campanha
eleitoral não trabalha com certezas. Trabalha com riscos.
E a pergunta é se, para reduzir esses riscos, a campanha de
Hana estaria tentando separar a candidata do governo do vice petista - e, por
tabela, de Lula.
Uma fonte da coluna
ligada ao PT, que pediu reserva, resume a contradição de maneira mais direta.
Segundo ela, o desafio é fazer a frente funcionar sem que um segmento assuste o
outro. E, nessa operação, afirma, “nossa bandeira e nosso candidato à presidência
têm sido sistematicamente escondidos quando convém”.
A declaração deve ser lida como opinião de uma fonte ligada
ao partido, mas ajuda a iluminar uma questão que a agenda oficial não explica.
De um lado, está Dirceu: petista orgânico, identificado com
a esquerda e ligado ao grupo de Beto Faro. Do outro, uma frente que reúne MDB,
União Progressista, Republicanos, PSD, PSB, Avante, PSDB/Cidadania e a
Federação Brasil da Esperança.
Não é exatamente uma reunião de condomínio. É uma coalizão
eleitoral que junta gente de quase todos os apartamentos ideológicos do prédio.
E Hana precisa fazer todos caberem no mesmo elevador.
Há ainda uma ironia nessa história. Dirceu não foi escolhido
para ser vice apenas para preencher uma vaga. Deputado estadual, líder do PT na
Alepa e com trajetória política construída no sudeste paraense, ele tem
densidade eleitoral justamente em uma região onde a chapa precisará conversar
com setores pouco inclinados a abraçar Lula de olhos fechados. Ou seja: o
problema não é Dirceu ter votos. É o que vem junto com os votos.
Sua presença pode ser importante para levar a candidatura a
territórios onde Hana precisa crescer. Ao mesmo tempo, sua identificação com o
PT e com Lula pode exigir uma administração mais cuidadosa da imagem da chapa.
A equação é delicada: estratégia ou esconderijo?
A campanha pode estar apenas fazendo o que toda campanha
profissional faz: segmentando agendas, distribuindo tarefas e explorando a
força individual de seus candidatos. Mas também pode estar fazendo algo mais
sofisticado: dois palanques dentro da mesma candidatura. Hana como rosto da
gestão, da continuidade administrativa e da frente ampla. Dirceu como ponte com
o PT, Lula e a militância de esquerda.
Funciona? Talvez. O risco é outro. Ao tentar falar com todo
mundo, a candidatura pode acabar dizendo coisas diferentes demais para públicos
diferentes. E eleição tem uma peculiaridade: o eleitor pode até aceitar a
estratégia de campanha, mas costuma cobrar a identidade do candidato. No fim, o
“vice invisível” pode ser apenas uma técnica de distribuição territorial.
Ou pode ser um sinal
de que há uma marca política que a campanha considera indispensável nos
bastidores - mas nem sempre conveniente na fotografia. A resposta virá das
urnas.
Até lá, fica a pergunta: Dirceu está sendo preservado para
render mais onde tem votos - ou escondido onde o PT pode tirar votos de Hana?
Só o 4 de outubro dirá.

• Se a quantidade de pessoas que abasteceu de graça em postos de combustível da Grande Belém para participar hoje da carreata do deputado Antônio Doido (foto) marcar presença, vai faltar espaço na região. Bondade de R$ 20 por veículo.
•A Cohab mandou setores para home office de 31 deste mês a 8
de outubro, alegando reforma nas suas instalações, mas servidores atentos
enxergam outro “benefício”: expediente remoto em plena campanha eleitoral.
• Segundo funcionários, o home office é um engodo: na
prática, liberaria servidores de seus locais de trabalho justamente durante a
campanha. A denúncia merece explicação.
•Tem que ser no
sofrimento? Tem. Mas perder um jogo em casa só para tornar tudo mais difícil é
demais.
•Agora é juntar os
cacos, fazer a conta e correr atrás do prejuízo. Porque, no futebol, sofrimento
faz parte - mas ajudar o adversário já é excesso de colaboração do professor
Júnior Houdini Rocha.
• Nem a Uepa escapa.
A Prefeitura de Belém é acusada de não repassar, desde setembro de 2025,
recursos à Escola do Marco-Uepa. A unidade atende milhares de usuários do SUS.
•Sem dinheiro, não há milagre: o serviço para - e quem paga
a conta é o cidadão. Afinal, saúde pública não combina com calote público.
•O roteiro não muda, é o de sempre: "não sei, não vi,
não falei com ela" - mas, claro, com a elegância de quem já decorou o
papel.
•Nada como um presidente que não lembra do próprio telefone,
mas tem tempo de sobra para absolver o filho, o ex-ministro e o senador antes
mesmo da perícia começar.
•Enquanto a PF rastreia bilhões, o Planalto rastreia o
controle remoto da Rede Globo. Fraude no INSS? Banco Master? Coincidências,
meras coincidências!
• No estranho circo da política brasileira, o mágico insiste
que o truque é real e a plateia que finja que não viu a cartola.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.