Investigação da PF sobre desvio de emendas parlamentares ainda não alcança nomes paraenses, mas revela um modelo de operação que se repete no País - e prospera onde a fiscalização é frouxa.
Operação Overclean, deflagrada pela Polícia Federal em sucessivas fases, não é apenas mais um inquérito sobre corrupção com dinheiro público. É, sobretudo, um raio-X de como o sistema de emendas parlamentares pode ser capturado por intermediários, empresas de fachada e acordos políticos longe da luz.

Até aqui, não há registro público de parlamentares do Pará formalmente investigados no âmbito da operação. O epicentro está na Bahia, com ramificações que envolveram deputados federais, assessores, prefeitos e empresários. Mas o dado que importa não é o CEP dos investigados - é o método.
A “Overclean” descreve um roteiro conhecido: emendas destinadas a municípios pequenos, convênios celebrados em série, licitações direcionadas, obras padronizadas e execução frágil. No papel, tudo é regular. Na prática, um sistema desenhado para drenar recursos públicos.
No Pará, o volume de emendas federais cresceu de forma significativa nos últimos anos, sobretudo nas modalidades individuais e de bancada. Boa parte desses recursos foi canalizada para pavimentação, saneamento básico, compra de equipamentos e obras de rápida visibilidade - exatamente os setores que a PF aponta como mais vulneráveis a desvios.
Outro ponto sensível é a dissolução da autoria política. Com o avanço das emendas classificadas como “impessoais”, torna-se cada vez mais difícil identificar quem indicou o recurso e quem responde politicamente por sua execução. Esse apagamento do padrinho, longe de ser virtude republicana, cria um vácuo ideal para irregularidades - cenário descrito em detalhes nas investigações da “Overclean”.
A pergunta que a operação impõe ao Pará não é “quem está sendo investigado?”, mas quem está fiscalizando. Onde estão as auditorias sistemáticas do TCU? Quantas obras bancadas por emendas federais foram efetivamente entregues? Quantas seguem inacabadas, paralisadas ou sequer iniciadas?
O contraste é evidente. Enquanto a PF atua de forma integrada com CGU, Receita Federal e Ministério Público em outros Estados, no Pará o controle sobre a execução das emendas segue fragmentado, burocrático e, muitas vezes, reativo - só se mexe quando o problema já virou ruína de concreto.
A “Overclean” não acusa a bancada paraense. Mas tampouco concede salvo-conduto. Ela escancara um modelo que opera em rede, atravessa fronteiras estaduais e depende menos de personagens específicos do que da permissividade institucional.
No combate à corrupção, a ausência de nomes não equivale à presença de virtude. Às vezes, é só falta de lupa. A operação da PF mostrou o caminho. Resta saber quem, no Pará, está disposto a olhar.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
ALina Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.
Rlex Kelian
19 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip commodo.
Roboto Alex
21 de Maio de 2018 ResponderLorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipisicing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore magna aliqua. Ut enim ad minim veniam, quis nostrud exercitation ullamco laboris nisi ut aliquip ex ea commodo consequat.