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A EMENDA E O SONETO

Prefeito de Mãe do Rio tenta reescrever divórcio, mas amplia desgaste político

Ao contar própria versão sobre separação, Bruno Rabelo reacende crise, expõe contradições e recoloca prefeita de Marituba no olho do furacão.

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 08/02/26 08:25

"Na política, eleitor até tolera excessos, mas costuma ser menos indulgente com histórias que envolvem traição" entre pessoas próximas/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


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e a intenção do prefeito de Mãe do Rio, Bruno Rabelo, do MDB, era “aliviar” o desgaste em torno do relacionamento com a prefeita de Marituba, Patrícia Alencar, do mesmo partido, o efeito do pronunciamento mais recente parece ter sido o oposto. A tentativa de apresentar uma narrativa conciliadora sobre o fim do casamento não encerrou o assunto - reacendeu a crise e acrescentou novos elementos a um episódio que já produzia desgaste político.

Em vídeo que circulou amplamente nas redes neste sábado, 7, Bruno adotou tom quase pedagógico ao tratar do divórcio, exaltando o respeito pela ex-esposa e recorrendo ao lugar-comum de que “ninguém casa para separar”. O discurso buscou humanizar o gestor e reduzir o peso das controvérsias que cercam o início do novo relacionamento. Em política, porém, versões concorrentes dificilmente coexistem sem confronto.

Desmentido imediato

Pouco depois, a ex-primeira-dama Carol Resque utilizou as redes sociais para contestar publicamente a versão apresentada. Disse não aceitar ser retratada como desonesta em uma história “editada” e afirmou possuir provas de um relacionamento extraconjugal ocorrido entre julho e novembro - período em que, segundo ela, o prefeito negava qualquer envolvimento.

A manifestação, direta e sem rodeios, afastou a ideia de consenso e recolocou o episódio como disputa pública de narrativas.

Contexto anterior

A crise não é recente. No início de janeiro, após Carol tornar pública sua versão dos fatos e pedir desculpas à Igreja e à população por compromissos interrompidos durante a crise conjugal, imagens de Bruno e Patrícia juntos nas comemorações de Ano Novo, em Pernambuco, passaram a circular. À época, as imagens falaram mais alto que qualquer posicionamento oficial, que só viria semanas depois, quando o relacionamento foi assumido publicamente.

Silêncio quebrado

Ao decidir se manifestar agora, Bruno parece ter subestimado um ponto sensível: quando o silêncio é rompido, a narrativa precisa ser consistente. Do contrário, a fala funciona como combustível para novas controvérsias. O gesto que buscava empatia acabou provocando reação imediata e ampliando o desgaste, além de trazer novamente ao centro do debate a prefeita de Marituba, que vinha mantendo distância estratégica do embate.

Efeito colateral

É nesse ponto que o episódio ultrapassa o constrangimento pessoal e passa a ter relevância política. Patrícia Alencar, em segundo mandato e pré-candidata a deputada federal pelo MDB, construiu sua trajetória sob intensa exposição pública. Ao longo da gestão, acumulou polêmicas e fez da visibilidade digital um ativo político.

Ano passado, alcançou grande projeção nacional após o vazamento de um vídeo publicado em conta privada, episódio que gerou críticas, mas também ampliou seu alcance nas redes.

Valores sensíveis

A crise atual, contudo, segue lógica distinta. Não se trata de um conteúdo controlado nem de uma controvérsia facilmente convertida em engajamento. O debate envolve valores morais sensíveis, como lealdade, amizade e confiança - temas que, fora da bolha digital, costumam ter alto peso na formação da opinião do eleitor.

A narrativa que se impõe associa a prefeita a alguém que mantinha relação de proximidade com a então esposa do prefeito, o que amplia a rejeição em segmentos menos tolerantes a esse tipo de situação.

Passivo em construção

O esforço de Bruno Rabelo para suavizar os fatos acabou reforçando a percepção de tentativa de reescrever a história. A reação pública da ex-esposa eliminou qualquer aparência de consenso e consolidou o episódio como um passivo político em aberto, com reflexos diretos sobre a imagem dos dois gestores.

Para uma pré-candidata à Câmara Federal, o risco é claro: controvérsias comportamentais podem gerar engajamento, mas raramente se convertem em votos quando atingem a esfera da confiança social.

Nesse caso rumoroso, a emenda não apenas ameaça sair pior que o soneto: pode transformar um romance assumido em desgaste político duradouro - e com possíveis reflexos já nas urnas de outubro. Porque, na política, o eleitor até tolera excessos, mas costuma ser menos indulgente com histórias que envolvem traição entre pessoas próximas.


Papo Reto

•Duas pesquisas, dois Parás - isso mesmo. Como se diz, pesquisa eleitoral é a arte de torturar os números até que digam o que se quer ouvir. No Pará, dois levantamentos recentes ilustram bem a máxima. 

•Em um deles, o governador Helder Barbalho (foto) aparece com 25%, ao Senado, seguido pelo ex-ministro Celso Sabino (18%) e pelo senador Zequinha Marinho (9,6%), num cenário fragmentado e sem hegemonia clara.

•Na pesquisa divulgada pelo Diário do Pará, o quadro muda radicalmente: Helder dispara para 46%, ante o ex-governador Simão Jatene (18%), e o deputado Éder Mauro aparece com 14%.

A distância entre os números vai além da estatística. Metodologia, período de coleta, universo pesquisado e até o veículo que divulga o resultado ajudam a explicar o abismo. 

•Detalhe: em um dos levantamentos, Paulo Rocha aparece bem cotado para o governo do Estado, mas completamente ignorado para o Senado, sendo que, ao que se sabe, nem candidato é.

•Trocando em miúdos: mais do que medir intenção de voto, as pesquisas revelam quem tenta, desde já, controlar a narrativa.

•Sobre o combate ao crescente número de feminicídios no País, cabem adoção de medidas protetivas ágeis, aumento das delegacias especializadas no interior, espaços de acolhimento, conscientização na educação infantil e penas maiores.

•Não será nada fácil para o Remo enfrentar times da primeira divisão do Brasileirão, como têm mostrado nas primeiras duas partidas.

•As equipes da série A possuem grandes estruturas técnica-financeiras, atletas de mais qualidades técnicas e banco de reserva qualificado.

•A Câmara Municipal do Recife rejeitou o pedido de impeachment contra o prefeito João Campos, por 25 votos a 9, e arquivou a denúncia.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.