Gestão Igor Normando recua da indicação de filho de vereador sem conhecimento do setor e nomeia Elba Peixoto Carvalho, mestre em Museologia.
Abaixo-assinado apresentado ao prefeito reúne mais de 2 mil assinaturas e pede a reestruturação imediata do museu/Fotos: Divulgação.
Prefeitura de Belém mudou a indicação para a direção do Museu de Arte de Belém, o Mabe, depois da repercussão negativa em torno da nomeação de José Higino Filho, professor de matemática recém-formado, para comandar a instituição. A nova escolhida é Elba Peixoto Carvalho, graduada em Artes Visuais pela Unama e mestre em Museologia pela Universidade do Porto, em Portugal.
A troca, porém, ocorre em meio a uma crise que vai muito além da escolha do diretor. Servidores, pesquisadores, artistas, professores, estudantes e instituições ligadas à cultura denunciam o que classificam como um processo de fragilização administrativa e operacional do museu, com redução de equipes, ausência de profissionais especializados, falta de recursos e descontinuidade de serviços de conservação e restauração.
O Mabe funciona no Palácio Antônio Lemos, edifício histórico que também abriga o gabinete do prefeito Igor Normando. O museu guarda mais de 2 mil bens culturais, entre obras de arte, mobiliário histórico e peças relacionadas à trajetória de Belém, do Pará e da formação do Brasil.
A primeira indicação para a direção provocou questionamentos porque José Higino Filho é filho do vereador de Belém Josias Higino, do PSD. Segundo as denúncias que circularam na cidade, a nomeação seria resultado de um acordo político envolvendo a base aliada do prefeito e o partido do vereador. Com a repercussão, a prefeitura recuou e passou a indicar Elba Peixoto Carvalho.
A nova diretora tem trajetória na administração pública municipal. Já ocupou cargos nas secretarias de Esporte e Lazer e de Cultura da atual gestão, além de ter passado por gabinetes de vereadores.
Levantamentos em portais de transparência também trouxeram ao debate os vínculos funcionais de Elba e de familiares com a administração pública. A discussão passou a envolver não apenas a qualificação técnica da nova indicada, mas também a recorrência de indicações políticas para funções na estrutura cultural do município.
Outro questionamento diz respeito ao registro profissional. Segundo informações atribuídas ao Conselho Federal de Museologia, Elba não possui registro ativo no órgão. A ausência de inscrição, de acordo com o conselho, impede o exercício legal da profissão de museóloga. A questão, entretanto, não se confunde necessariamente com a capacidade de ocupar um cargo de direção administrativa, ponto que deverá ser esclarecido pela prefeitura e pelos órgãos competentes.
Enquanto a prefeitura promove a mudança no comando, o movimento “O Mabe pede socorro” tenta chamar atenção para problemas considerados mais graves. Um abaixo-assinado apresentado ao gabinete do prefeito reúne mais de 2 mil assinaturas e pede a reestruturação imediata do museu. O documento também cobra a reintegração formal do Mabe ao organograma da administração cultural municipal, com autonomia técnica compatível com suas atribuições.
Em maio, segundo o movimento, servidores do museu também protocolaram na Prefeitura um pedido de intervenção na Secretaria Municipal de Cultura. Até agora, afirmam os integrantes da mobilização, não houve resposta aos dois pedidos.
A situação também chegou ao Ministério Público Estadual. Segundo os organizadores, o caso poderá ser compartilhado com o Ministério Público da União, se houver entendimento de que a atuação federal é cabível. O Iphan também recebeu informações sobre a situação e já possui outro processo relacionado a atividades que, segundo os denunciantes, não seriam compatíveis com a finalidade do museu.
O movimento afirma ainda ter solicitado apoio institucional ao Ministério da Cultura, ao Instituto Brasileiro de Museus, ao Conselho Federal de Museologia, além de universidades e museus.
Entre as instituições que já manifestaram apoio à causa está o Museu Paraense Emílio Goeldi. O diretor do Museu Paulista, Paulo Garcez Marins, também teria se manifestado, assim como professores de Artes Visuais, antropólogos e artistas paraenses.
Uma das principais reivindicações é a reintegração do Mabe ao organograma da Secretaria Municipal de Cultura. Segundo os integrantes do movimento, a instituição teria sido excluída como departamento da estrutura atual da Secult, hoje comandada por Michell Mendes Durans.
O grupo também cobra a recomposição e ampliação do quadro técnico, concurso público para áreas especializadas, reabertura e fortalecimento da biblioteca, recuperação dos espaços destinados às atividades museológicas e inspeções técnicas nas reservas, no acervo e no edifício histórico. Há ainda pedidos para implantação de um plano emergencial de conservação e restauração, seguido de um programa permanente de preservação, modernização e sustentabilidade do museu.
O ponto central da mobilização é que a troca de diretor não resolveria, sozinha, problemas que atingem a própria estrutura da instituição.
Os integrantes do movimento também questionam as prioridades da política cultural do município. Segundo eles, enquanto o Mabe enfrenta dificuldades administrativas e operacionais, a Secretaria Municipal de Cultura destinou cerca de R$ 2,5 milhões a megaeventos evangélicos realizados em junho no Mangueirão.
A comparação é usada pelo movimento para cobrar da prefeitura recursos compatíveis com a responsabilidade de preservar um dos mais importantes conjuntos históricos e artísticos de Belém. A mudança de Elba Peixoto Carvalho para a direção, portanto, encerra uma crise específica, mas não necessariamente a crise do museu.
A nova diretora chega com formação acadêmica diretamente relacionada à área e experiência na administração municipal. Terá, porém, pela frente uma instituição que acumula reivindicações, questionamentos e pedidos de intervenção ainda sem resposta.
No Palácio Antônio Lemos, onde convivem o gabinete do prefeito e um dos mais importantes acervos culturais da cidade, a pergunta agora é menos sobre quem dirige o Mabe e mais sobre quem vai devolver ao museu a estrutura necessária para cumprir sua função.

·Quem participou, esta semana, de uma reunião comandada pelo prefeito de Ananindeua, Hugo Atayde (foto), na Secretaria de Saúde, saiu com a impressão de que o sucessor de Daniel Santos já fez sua escolha para a eleição ao Senado.
·Hugo, considerado político de perfil agregador, estaria recomendando o chamado “voto número 1”. A questão é que a chapa do candidato ao governo reúne dois nomes para o Senado: Eder Mauro, do PL, e Zequinha Marinho, do Podemos.
·O advogado-geral da União, Jorge Messias, também entrou no caso. A discussão agora vai além da plataforma: até onde deve ir a responsabilidade das redes pela proteção de crianças e adolescentes?
·O presidente Lula declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 4,7 milhões para disputar a reeleição. O valor é inferior aos R$ 7,4 milhões declarados em 2022.
·A maior parcela agora está concentrada em dois planos de previdência privada, que somam R$ 3,3 milhões. No patrimônio eleitoral, até a inflação tem adversário.
·A Polícia Federal deve ouvir nos próximos dias Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito de investigações que apuram suspeitas de tráfico de influência.
·A defesa afirma que ele está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Agora, o depoimento deixa de ser possibilidade e pode virar agenda.
·Aliás, PF e Correios apreenderam 174 quilos de drogas durante operação em oito unidades da estatal em São Paulo. A ação faz parte da cooperação entre os Correios e as forças de segurança para combater o uso da rede postal no envio de entorpecentes.
·O carteiro, definitivamente, não assinou esse tipo de encomenda.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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