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Sindicalismo volta a dar as caras em Belém em disputa política no Sintsep

Eleição no sindicato dos servidores federais tem judicialização e acusações cruzadas e termina validada em assembleia

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  • Da Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 28/01/26 08:00

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sindicalismo voltou a mostrar a cara em Belém depois de um longo período fora do foco. Não por mobilização de massa ou agenda trabalhista, mas pelos quiproquós típicos das disputas internas, desta vez protagonizados por correntes ligadas ao PT durante a eleição do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Federal no Pará.

A eleição realizada na segunda-feira, 26, foi marcada por acusações de tentativa de intervenção externa atribuídas ao superintendente regional do Ministério do Trabalho no Pará, Paulo Gaia, quadro histórico do partido. Lideranças do Psol apontaram Gaia como responsável por “tumultuar e deslegitimar” o processo eleitoral da entidade.

As regras do jogo

Apesar das pressões políticas, das tentativas de judicialização e de denúncias de suposta intimidação, o processo foi mantido. Em assembleia geral híbrida, a categoria aclamou a Chapa Reconstrução, que obteve mais de 85% dos votos, encerrando formalmente a disputa.

Desde o início do processo eleitoral, a atuação do superintendente chamou a atenção dos servidores. Duas chapas tentaram se inscrever, mas apenas a Chapa Reconstrução cumpriu integralmente os requisitos previstos no Estatuto e no Regimento Eleitoral do Sintsep. A outra, associada politicamente a Gaia, foi impugnada por não atender a uma exigência básica: a filiação regular de seus integrantes ao sindicato.

O vídeo e a versão

Denúncias encaminhadas à redação relatam que Paulo Gaia compareceu à assembleia acompanhado de seguranças, em atitude classificada por críticos como tentativa de intimidação. Vídeo em posse da coluna mostra o superintendente ao lado de duas ou três pessoas identificadas como seguranças. Não há imagens que comprovem porte de arma, embora essa versão tenha sido sustentada por parte dos servidores, o que reforçou o clima de tensão no encontro.

Paralelamente à disputa política, a chapa impugnada recorreu reiteradamente ao Judiciário para suspender ou anular o processo eleitoral. Todas as iniciativas foram indeferidas, levando a Comissão Eleitoral a seguir integralmente as normas estatutárias e a conduzir a assembleia que confirmou a nova direção.

Crise anterior

O processo eleitoral ocorreu em meio a uma crise herdada da antiga gestão sindical. O então coordenador-geral do Sintsep, João Santiago, ligado ao grupo do ex-deputado federal Babá, renunciou após denúncias de má administração do patrimônio do sindicato. A sede da entidade chegou a ser interditada depois da realização de obra sem autorização do colegiado, motivando a criação de uma comissão de apuração.

Nesse cenário, o grupo ligado a João Santiago se somou à contestação conduzida por Paulo Gaia. Como Santiago é professor da Universidade Federal do Pará, chamou atenção a presença da docente Edivania Alves, ex-dirigente da Adufpa, que acompanhou e filmou a assembleia, conforme mostram imagens enviadas à redação.

A resposta da base

Mesmo diante do ambiente de forte pressão política e institucional, a categoria respondeu de forma objetiva. A aclamação da Chapa Reconstrução encerrou um ciclo de instabilidade e reforçou a leitura predominante entre os servidores de que o sindicato deve responder à sua base, e não a interesses externos ou disputas partidárias.

Velhas disputas

Em nota, Paulo Gaia afirmou que esteve na assembleia como filiado com 29 anos de sindicalização. Disse ter questionado a mesa sobre decisões judiciais que teriam impedido inscrições de chapas e criticou o modelo de aclamação, que classificou como manobra antidemocrática. Negou apoiar qualquer chapa, rejeitou acusações de intimidação e afirmou confiar que a Justiça decidirá o futuro da entidade.

Mais do que um caso de intervenção institucional, o episódio revela a persistência de velhas disputas políticas no movimento sindical, agora reeditadas com judicialização, vídeos e versões conflitantes. O sindicalismo volta à cena - mas preso aos métodos de sempre.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.