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Ilegal, mas engorda

Sobre biquíni, likes e a linha que separa o marketing político da improbidade

Com o aumento do uso das redes sociais por prefeitos, a busca por popularidade desafia os limites da impessoalidade e esconde os reais problemas municipais.

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  • 22/09/25 12:00

Prefeita de Marituba se enquadra no entendimento do STJ sobre promoção pessoal nas redes sociais e improbidade administrativa/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


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os últimos anos, as redes sociais se tornaram o palco principal onde muitos gestores públicos se apresentam para suas bases eleitorais. Na Região Metropolitana de Belém, a cidade de Marituba vê sua prefeita como 'influenciadora digital'. O que poderia parecer uma nova maneira de se comunicar com o povo se transforma, na prática, em um risco à credibilidade das administrações.

 Nova era do marketing

Embora com outros casos no Estado - e mesmo em Belém - , o mais emblemático é o de Patrícia Alencar, que conquistou mais de 1 milhão de seguidores após uma série de postagens pessoais - supostamente "vazadas". Entre elas, imagens dela de biquíni, que rapidamente viralizaram. A gestão de Patrícia, no entanto, vai além das postagens de praia: fotos de eventos e anúncios têm como objetivo consolidar uma imagem de proximidade com a população. O problema surge quando as redes sociais se tornam uma vitrine pessoal, confundindo marketing político com autopromoção.

Mídia e improbidade

O uso das redes sociais por gestores públicos pode ser legal, desde que haja uma clara separação entre a figura pública e a pessoa privada. No entanto, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) tem decidido que a promoção pessoal excessiva - especialmente quando recursos públicos são usados para fortalecer essa imagem - pode ser considerada improbidade administrativa. Em Marituba, a pergunta que fica é: a prefeita realmente usa sua imagem para promover ações de governo, ou está, na prática, construindo uma persona política que visa maximizar sua popularidade?

Pingos nos is

Fique claro desde já: não se está atribuindo à prefeita Patrícia Alencar inaptidão para o cargo ou inércia administrativa. É público e notório que ações da gestão têm beneficiado a população em diversos setores, mas chama atenção o fato de que uma série de denúncias formuladas contra a administração da cidade simplesmente ficam sem resposta, sugerindo que a prefeita aposta no seu “poder de convencimento” através de suas redes sociais, ao invés de prestar esclarecimento público sobre os fatos denunciados. 

Trata-se de um modo sutil de admitir que deslizes administrativos são compensados como o faz e mostra nas redes sociais? Por que não usar as redes sociais para justificar ou esclarecer as denúncias?

Toda forma de populismo

Outro ponto crucial dessa discussão é o impacto real das redes sociais sobre a política local. Em muitos municípios paraenses, as plataformas digitais acabam sendo usadas para mascarar problemas estruturais: falta de infraestrutura, saúde precária e políticas públicas ineficazes. O que se vê, em vez de um debate sobre soluções, são fotos de eventos festivos e viagens pessoais ganhando destaque, enquanto questões como saneamento básico e transporte público ficam em segundo plano. A grande questão é: até onde a popularidade virtual é mais importante do que a resolução dos problemas reais da população?

Gestores ou influencers?

Em Marituba, a prefeita Patrícia Alencar se tornou uma verdadeira influenciadora digital. O uso de suas redes para criar uma imagem de proximidade com os eleitores é inegável. No entanto, surge uma questão importante: qual a legitimidade de uma gestão pública que foca tanto em sua imagem pessoal e tão pouco na administração efetiva dos problemas do município?

Para parte da população, a imagem construída nas redes sociais de uma prefeita acessível e carismática pode até ser sedutora, mas o que está sendo feito, efetivamente, através de políticas públicas consistentes, para melhorar a vida dos cidadãos, reduzir os índices sociais negativos e melhorar a qualidade de vida? No mais das vezes, as ações administrativas são tão passageiras quanto o tempo de duração de obras baratas e mal feitas, como no caso do programa de asfaltamento de vias públicas, que não resistiu às primeiras chuvas deste inverno. Era virtual?

O pau e o machado

Embora o uso das redes sociais possa ser legal, quando gestores públicos começam a usar sua posição para autopromoção, infringem princípios constitucionais como a impessoalidade e a moralidade administrativa. A grande pergunta é: até quando os gestores vão continuar a usar suas plataformas digitais para buscar popularidade a qualquer custo, ignorando a verdadeira missão da administração pública? E mais importante: quais as consequências reais para aqueles que usam a máquina pública para fortalecer sua imagem pessoal nas redes sociais?

Papo Reto

·A Federação das Indústrias, comandada por Alex Carvalho, o Centro das Indústrias e o Sindicato da Indústria da Construção Pará prestaram justa homenagem de reconhecimento e agradecimento ao engenheiro civil Manoel dos Santos Júnior, o Maneco Bisi  (foto), amigo da coluna de priscas eras.

·Discreto e movido pelo compromisso com a memória cultural, o engenheiro promoveu, por conta própria, a restauração da Capela Senhor Bom Jesus dos Passos, conhecida como Capela Pombo.

·A edificação, datada do Século XVIII e localizada na travessa Campos Sales, bairro da Campina, Centro de Belém, esteve abandonada por anos e a capela caminhava para um estado de deterioração irreversível.

·Maneco Bisi, portanto, recupera um importante marco histórico de Belém e se inscreve na própria história da cidade. Que fique o exemplo para as futuras gerações. 

·Falando em Maneco Bisi: um dos materiais mais triviais de qualquer construção, o cimento está prestes a se tornar um marco na bioengenharia de materiais, oferecendo uma solução potencialmente escalável para o armazenamento integrado de energia renovável diretamente na infraestrutura urbana.

·Pesquisadores da Universidade de Aarhus, da Dinamarca, e da Universidade Chongqing Jiaotong, da China, inocularam na matéria-prima do concreto e da argamassa as bactérias Shewanella oneidensis durante a sua preparação, ainda em estado fresco-pastoso.

·O "cimento vivo", capaz de gerar, armazenar e liberar eletricidade de forma eficiente dentro das redes condutoras - mesmo após a morte das bactérias -, promete revolucionar a construção civil nos próximos anos. 

·Leitor da coluna diz que Evandro Bonna, que poderá dar nome ao Terminal Hidroviário de Icoaraci, “foi um dos melhores agentes distritais” nos anos 1970. Até hoje, a família Bonna  tem casa na “Vila Sorriso”. 

·Prédios do governo federal seguem em completo abandono na Presidente Vargas com Manoel Barata - onde funcionou o antigo Iapi -, e avenida Nazaré com Doutor Moraes. Péssimo visual para acompanhantes do Círio e da COP30.

Mais matérias OLAVO DUTRA

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.