Nota 1 no curso de Medicina de Altamira expõe abandono dos campi do interior e uma universidade mais ocupada com agendas políticas do que com ensino, pesquisa e extensão.
Universidade Federal do Pará vive um paradoxo incômodo. Enquanto a atual Reitoria - como a anterior - colhe dividendos políticos, simbólicos e midiáticos ao se projetar nacional e internacionalmente - impulsionada pela COP30 e por agendas de alto prestígio -, a realidade dos campi do interior do Estado segue em rota oposta: infraestrutura deteriorada, conflitos internos não resolvidos, insegurança institucional e, agora, o golpe mais duro, a nota 1 obtida pelo curso de Medicina do campus de Altamira no Enamed.

O resultado caiu como uma bomba dentro da instituição e fora dela. Não se trata apenas de um número ou de um desempenho pontual. É um alerta institucional grave, que expõe fissuras antigas em uma universidade que se orgulha de ser multicampi, mas que, na prática, trata seus campi distantes como periferia administrativa.
Laboratórios sucateados, salas de aula improvisadas e ambientes administrativos degradados não são novidade para quem vive o cotidiano fora da capital. Docentes, técnicos e estudantes dos campi do interior reclamam há anos de abandono, falta de recursos e ausência de interlocução efetiva com a administração central. A situação do curso de Medicina de Altamira apenas escancarou o que já era sabido, mas convenientemente ignorado.
A crise não nasceu agora. Ela é fruto de uma política institucional que, ao longo dos últimos anos, deslocou o eixo da universidade. A UFPA passou a investir mais energia na construção de imagem, no relacionamento político e na ocupação de espaços simbólicos do que na sustentação concreta da sua base acadêmica.
Um dos símbolos mais claros desse processo foi o esvaziamento da Secretaria Multicampi, órgão estratégico que, em gestões anteriores, era responsável por articular, acompanhar e defender os interesses dos 11 campi do interior junto à Reitoria, em Belém. O órgão perdeu força primeiro por decisões políticas, para evitar protagonismo interno de quem o comandava; depois, por opção deliberada da atual gestão, que manteve a secretaria sem autonomia, orçamento ou capacidade real de decisão.
O efeito é visível e mensurável. Processos se arrastam, conflitos internos são empurrados para debaixo do tapete e problemas estruturais se acumulam. A Reitoria, por sua vez, reage apenas quando a crise ultrapassa os muros da universidade e ganha repercussão externa - seja na imprensa, seja em avaliações oficiais.
Foi exatamente o que ocorreu agora. Diante da nota 1 no curso de Medicina, o reitor Gilmar Pereira da Silva precisou ir pessoalmente a Altamira, reunir com a coordenação do campus, diretores de faculdades e, em particular, com a Faculdade de Medicina, foco da crise. Nos bastidores, segundo relatos, o tom foi de preocupação não apenas com a avaliação, mas com o histórico de conflitos recorrentes e com o desgaste crescente da imagem institucional da UFPA.
A sinalização foi clara: se os problemas internos não forem equacionados, uma intervenção administrativa não está descartada. A Reitoria solicitou relatórios detalhados, caso a caso, numa tentativa de compreender a dimensão do problema, conter a sangria reputacional e evitar que a crise se espalhe para outros campi do interior.
O episódio reforça uma crítica recorrente dentro da própria UFPA: a de que a universidade deixou de priorizar sua missão acadêmica para se transformar em arraial político, onde agendas externas, alianças institucionais e exposição midiática ocupam o espaço que deveria ser do ensino, da pesquisa e da extensão.
A universidade que posa para fotos com autoridades internacionais é a mesma que falha em garantir condições mínimas para formar médicos no interior da Amazônia. A instituição que se apresenta como protagonista do debate climático global é a mesma que não consegue assegurar laboratórios adequados, estabilidade administrativa e ambiente acadêmico saudável em seus próprios campi.
Não se trata de negar a importância da projeção internacional, da COP30 ou do debate ambiental. Trata-se de lembrar que nenhuma universidade pública sobrevive apenas de símbolos, discursos ou agendas de ocasião. Sem investimento real, gestão equilibrada e atenção permanente às suas bases, o preço chega. E chega em forma de nota 1.
Altamira foi o elo fraco que quebrou - não por acaso, mas por abandono.
A UFPA precisa decidir se quer ser referência acadêmica ou palco político. Hoje, os fatos indicam que a balança está perigosamente desequilibrada.

•O pacote que concentra poderes na Arcon caiu como golpe nos municípios. Sem direito a voto ou debate, prefeitos assistem ao Estado decidir sozinho reajustes e concessões do saneamento.
•Para aprovar o pacote, o governo precisou escalar o chefe da Casa Civil. Luiziel Guedes (foto) para enquadrar prefeitos. Promessas de convênios acalmaram os ânimos, mas o desconforto segue e pode explodir.
•A condicionante irrita: sem assinar o termo definitivo do saneamento privado, município não recebe a cota da outorga. Juristas avisam: quem não assina, não recebe - mas também não entrega o sistema.
•Para surpresa de quase ninguém, o STF mandou para a gaveta o inquérito contra delegados da Polícia Federal acusados de prevaricação e violência política no segundo turno da corrida presidencial de 2022.
•A narrativa da esquerda mais uma vez cumpriu seu papel midiático e, sem materialidade, teve que ser posta no arquivo.
•Baixou de R$350 para R$180 o "pacote" incluindo o exame de aptidão física e mental e os exames de avaliação psicológica no Detran, para quem busca a emissão da 1ª CNH.
•Antes que algum espertinho tente virar "pai da bondade", registre-se que a mudança do valor não é obra do governo, mas teto máximo estabelecido pela Secretaria Nacional de Trânsito.
•O fenômeno El Niño deve começar a se formar entre o fim do outono e o início do inverno, com aquecimento do Pacífico já a partir de março e potencial para alcançar intensidade moderada a forte, segundo o Climatempo.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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