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SINAL DE ALERTA

Gripe aviária chega ao Pará e coloca Ilha do Marajó sob vigilância sanitária

Caso isolado confirmado em Anajás envolve ave de criação doméstica; governo tenta conter alarme e blindar setor avícola de impactos econômicos.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 13/05/26 17:00
Gripe aviária chega ao Pará e coloca Ilha do Marajó sob vigilância sanitária
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Pará entrou oficialmente na rota da gripe aviária. A confirmação foi feita pela Adepará, que identificou um caso de influenza aviária de Alta Patogenicidade em uma pequena propriedade rural de Anajás, no Arquipélago do Marajó.

 

Foco foi detectado em um pato-do-mato com sinais clínicos compatíveis; região é estratégica na circulação de aves migratórias/Fotos: Divulgação.

Segundo o comunicado, o foco foi detectado em um pato-do-mato que apresentou sinais clínicos compatíveis com a doença. A área foi interditada e passou por ações de saneamento e monitoramento epidemiológico. Equipes estaduais também reforçaram a vigilância sanitária em regiões próximas às rotas de aves migratórias - principal via de circulação do vírus no continente.

A nota oficial procura reduzir qualquer clima de pânico. A agência afirma que não há risco no consumo de carne de frango e ovos devidamente inspecionados e sustenta que o caso não afeta a avicultura comercial paraense, mas a confirmação tem peso sanitário, econômico e político.

Casos pelo País

O Brasil convive com registros de gripe aviária desde 2023, sobretudo em aves silvestres e criações domésticas de subsistência. Os casos já atingiram Estados como Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

O episódio mais delicado ocorreu justamente no Sul do país, com a confirmação, em 2025, do primeiro foco em granja comercial brasileira - situação que elevou o alerta sobre possíveis impactos em exportações e no mercado internacional de proteínas.

Dados do Ministério da Agricultura apontam que o País já contabilizou centenas de ocorrências desde o início da emergência sanitária, a ampla maioria em aves silvestres. O governo federal mantém estado de emergência zoossanitária justamente pela permanência do risco associado às aves migratórias.

Risco vem pelo céu

O arquipélago paraense está em área estratégica de circulação de aves migratórias vindas da América do Norte e de outras regiões do continente. Por isso, especialistas consideram a região sensível para monitoramento epidemiológico. No caso de Anajás, o governo estadual tenta separar rapidamente “foco isolado” de “surto”. O esforço não é apenas técnico: é também econômico.

O Pará possui cadeia avícola em expansão e qualquer sinal de disseminação da doença poderia gerar restrições comerciais, impacto no consumo e pressão sobre produtores. Por isso, a comunicação oficial enfatiza, em vários trechos, que a produção industrial não foi atingida.

Alerta à população

As ações envolvem, além da Adepará, órgãos como Secretaria de Saúde, Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Secretaria de Meio Ambiente. A orientação à população é evitar contato com aves doentes ou mortas e comunicar imediatamente qualquer suspeita aos órgãos de defesa agropecuária.

Por enquanto, o governo trabalha para impedir que o primeiro caso confirmado no Pará se transforme em algo maior - sanitariamente e politicamente.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.