Alex Carvalho defende protagonismo econômico do Pará, cobra industrialização e alerta contra modelo que transforma o Estado apenas em símbolo ambiental para o mundo.
abertura da Feira da Indústria do Pará acabou se transformando em muito mais do que um evento empresarial. Em tom político e estratégico, o presidente da Federação das Indústrias do Pará, Alex Carvalho, usou o palco do encontro para enviar um recado direto aos governos, ao setor ambiental e ao debate internacional: o Pará não aceita ser apenas “vitrine da Amazônia”.

Alex Carvalho abriu seu discurso com homenagem a dois vultos icônicos para o setor produtivo do Pará - o ex-deputado Raul Jungmann e o advogado, ex-prefeito de Paragominas e ex-secretário de Estado Adnan Demachki, ambos falecidos – e uma citação à fábula “o visconde de partido ao meio”, de Ítalo Calvinho. Nela, o presidente da Fiepa coloca o setor produtivo e o terceiro setor separados, destacando a necessidade de buscar a união de propósitos e ações para o desenvolvimento do Estado.
A frase, dita durante o discurso de abertura da feira, sintetizou o sentimento que domina boa parte do setor produtivo paraense diante da crescente pressão global sobre sustentabilidade, preservação ambiental e transição energética.
Para empresários e industriais, há um temor cada vez mais evidente de que o Estado seja tratado apenas como território estratégico para conservação ambiental, sem receber, em contrapartida, investimentos robustos em infraestrutura, industrialização e melhoria concreta da qualidade de vida da população.
Após a COP30, Belém passou a ocupar posição permanente no debate climático internacional. O problema é que, na avaliação do setor industrial, o discurso ambiental muitas vezes continua ignorando contradições históricas da região.
O Pará segue entre os maiores exportadores de minério, energia e commodities do País, mas ainda enfrenta gargalos logísticos severos, baixa verticalização da produção, dificuldades estruturais e enormes desigualdades sociais.
Ao defender que o Estado não pode ser apenas “vitrine”, Alex Carvalho expôs exatamente essa inquietação.
Nos bastidores da feira, empresários repetiam praticamente o mesmo diagnóstico: a Amazônia não quer apenas reconhecimento internacional pela preservação ambiental; quer participação efetiva nos benefícios econômicos gerados por suas riquezas naturais.
O discurso da Fiepa também recolocou no centro da pauta um tema histórico do setor produtivo paraense: a verticalização mineral. Há décadas, industriais e lideranças econômicas reclamam que o Pará exporta matéria-prima em larga escala sem consolidar cadeias industriais capazes de gerar empregos de maior renda e ampliar a arrecadação local.
O raciocínio ganhou novo fôlego diante das discussões internacionais sobre minerais estratégicos, transição energética e economia verde.
O Estado concentra algumas das maiores reservas minerais do planeta, fundamentais para setores ligados à energia limpa, baterias, tecnologia e infraestrutura global. Ainda assim, o sentimento no empresariado é de que o Pará continua exercendo papel periférico na cadeia econômica mundial.
Outro ponto sensível levantado durante a abertura da Feira da Indústria envolve infraestrutura. Empresários reclamam que o Estado ainda convive com problemas históricos em portos, rodovias, mobilidade urbana, saneamento e logística, fatores que dificultam a competitividade da indústria local.
No entendimento de setores do empresariado, o debate ambiental precisa caminhar junto com desenvolvimento econômico sustentável, melhoria estrutural do ambiente de negócios e fortalecimento da capacidade produtiva regional.
Embora em tom institucional, o discurso da Fiepa também carregou evidente componente político. Ao defender protagonismo econômico para a Amazônia, Alex Carvalho dialoga simultaneamente com governo federal, governo estadual e organismos internacionais que passaram a olhar o Pará como símbolo da agenda climática global.
O setor produtivo tenta evitar que a região seja enxergada apenas como patrimônio ambiental a ser preservado, sem espaço para expansão industrial, geração de riqueza e competitividade.
Nos corredores da feira, a percepção era clara: o empresariado paraense quer transformar a visibilidade internacional conquistada pelo Estado em investimentos permanentes, infraestrutura e fortalecimento da indústria local - e não apenas em discursos diplomáticos sobre sustentabilidade.
A Feira da Indústria deste ano acabou revelando algo maior do que exposição de negócios e vitrines tecnológicas. O evento consolidou-se como espaço de debate sobre qual Amazônia o Pará pretende apresentar ao Brasil e ao mundo nos próximos anos.
De um lado, o discurso ambiental global. Do outro, o setor produtivo defendendo desenvolvimento, industrialização e participação econômica mais robusta da região.
No meio desse embate, o Pará tenta convencer o mundo - e talvez a si próprio - de que preservar a floresta e produzir riqueza não precisam ser objetivos incompatíveis.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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