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ARTHUR BERNARDES

Carretas ocupam ciclovia e desafiam fiscalização desde sempre em Belém

Denúncias apontam que transportadoras usam diariamente a ciclofaixa da avenida como área de estacionamento e carga.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 22/05/26 11:00

“Quase sofri um acidente meses atrás aqui. Meu cunhado teve menos sorte e quase perdeu a vida por conta dessa safadeza”, relata ciclista/Fotos-Coluna Olavo Dutra.


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ocupação irregular da ciclofaixa da avenida Arthur Bernardes, nas proximidades da Transtapanã, virou símbolo de um problema que moradores, ciclistas e trabalhadores da área afirmam estar longe de ser novidade em Belém: a incapacidade - ou falta de interesse - da prefeitura em fiscalizar infrações que colocam vidas em risco diariamente.

Vídeos enviados à coluna mostram carretas e veículos pesados ocupando a faixa destinada exclusivamente a ciclistas, obrigando quem utiliza a via a disputar espaço com caminhões e veículos em alta velocidade.

Segundo relatos recebidos pela reportagem, o problema ocorre quase diariamente e já teria sido comunicado inúmeras vezes aos órgãos municipais responsáveis pela mobilidade urbana.

“Fica por isso mesmo”

O ciclista João Moraes, 37 anos, afirma que o trecho se transformou em área permanente de risco. “Quase sofri um acidente meses atrás aqui. Meu cunhado teve menos sorte e quase perdeu a vida por conta dessa safadeza”, relatou.

Quem trabalha na região também diz conviver com a irregularidade sem qualquer solução efetiva. O ambulante Gerson Moreira da Silva, 27 anos, testemunha que a cena se repete praticamente todos os dias. “Essas carretas fecham a ciclovia e tudo fica por isso mesmo”, afirmou.

A percepção de quem vive a rotina da Arthur Bernardes é que operações ocasionais feitas pela fiscalização municipal serviriam apenas para produzir efeito momentâneo e gerar repercussão pública, sem continuidade real no combate às irregularidades.

Hábito de negar tudo

Moradores da área apontam as empresas Gab e Spenc, instaladas em frente ao trecho denunciado, como possíveis responsáveis pela movimentação diária das carretas. O proprietário do galpão utilizado pelas empresas, no entanto, negou à coluna qualquer participação na ocupação da ciclofaixa.

Outra linha de denúncia sugere que os veículos atenderiam operações ligadas ao Terminal da Agropalma, hipótese que também não foi confirmada. Procurada, a empresa não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Há ainda relatos de que as carretas poderiam estar relacionadas à retirada de telhas e caixas d’água contendo amianto do antigo pátio da Brasilit, pertencente ao grupo francês Saint-Gobain. A multinacional também negou envolvimento nas irregularidades. Em nota enviada à coluna, informou que possui área interna adequada para recebimento de caminhões e que suas operações seguem “criterioso agendamento de horários”.

Fiscalização sem efeito

Apesar das denúncias recorrentes e dos registros em vídeo, a ocupação da ciclofaixa permanece acontecendo sem maiores constrangimentos para os responsáveis. O problema expõe mais uma vez a fragilidade da fiscalização urbana em Belém, especialmente em corredores logísticos e áreas industriais onde veículos pesados acabam avançando sobre espaços destinados à mobilidade urbana e à segurança de ciclistas.

Enquanto isso, quem utiliza diariamente a Arthur Bernardes continua convivendo com uma rotina perigosa: sair da ciclovia para sobreviver ao bloqueio imposto justamente por quem deveria respeitar a lei - e por quem deveria fiscalizá-la.

Papo Reto

Sob gestão de Eduardo Freccia (foto), do PL, a Prefeitura de Palhoça, em Santa Catarina, que está processando a si mesma e cobrando uma dívida de si mesma, informou ao Judiciário que não conseguiu localizar o próprio endereço. 

•A ação de execução fiscal foi proposta para cobrar um débito de cerca de R$ 100 mil, mas o Judiciário constatou que a prefeitura aparece como credora e devedora na mesma ação. 

A Justiça de Santa Catarina determinou que o município preste esclarecimentos sobre a inconsistência e em manifestação no processo, e a Procuradoria-Geral do Município relatou que fez diversas tentativas, mas não obteve êxito em localizar o executado ou bens passíveis de penhora. 

•A Câmara dos Deputados aprovou medida provisória que prevê aumento de 5,4% no piso salarial dos professores de educação básica. A proposta, que segue ao Senado, cria critérios permanentes de reajuste acima da inflação. 

A CCJ do Senado adiou votação da PEC que amplia a autonomia financeira e orçamentária do Banco Central. A votação ficou para depois de nova rodada de negociação entre relator, governo e senadores. 

•A Câmara aprovou a minirreforma eleitoral, que flexibiliza punições a partidos políticos e altera regras de prestação de contas e propaganda. O texto ainda será analisado pelo Senado. 

A AGU defende no STF que a Lei da Dosimetria seja considerada inconstitucional. O órgão afirma que a norma cria um "regime de abrandamento" para crimes contra a democracia. 

•O ministro Alexandre de Moraes determinou que os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores tomem providências para efetivar a extradição da ex-deputada Carla Zambelli após autorização da Justiça italiana.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.