Aplicação mínima do Tesouro Reserva será de R$ 1 e rendimento acompanhará a Selic.
Rio de Janeiro, RJ - O Tesouro Nacional lançou nesta segunda-feira o Tesouro Reserva, novo investimento que poderá ser negociado ininterruptamente 24 horas por dia. Ele é mais rentável que a tradicional caderneta de poupança e com nível de segurança semelhante, já que possui garantia da dívida soberana do país.
O investimento terá aplicação mínima de R$ 1 e o objetivo de servir de reserva para emergências. A estreia do produto foi hoje em evento na B3, em São Paulo. Por enquanto apenas os clientes do Banco do Brasil vão poder comprar o novo título.
Diferente da caderneta, que rende uma vez por mês, o Tesouro Reserva renderá todo dia. Esta é uma resposta do Tesouro, gestor da dívida pública, às tradicionais “caixinhas” oferecidas por fintechs e que rendem através de CDBs, títulos emitidos pelos próprios bancos e que possuem rendimentos semelhantes à Taxa Selic, hoje em 14,5% ano ano.
Durante o evento de lançamento, o secretário do Tesouro Nacional, Daniel Leal, disse que o estoque de investimentos no Tesouro Direto soma cerca de R$ 200 bilhões, uma parcela ainda pequena da dívida pública, próxima de 2%. Segundo ele, a nova plataforma tem como objetivo ampliar esse volume, reforçar a segurança e aumentar a base de investidores.
Triplicar, quadruplicar, o número de investidores
Na avaliação do secretário, muitos brasileiros nunca enxergaram o Tesouro como uma opção acessível, e o Tesouro Reserva pode ampliar o alcance do mercado financeiro. O valor baixo de aporte para a entrada visa atingir quem não pretende carregar um investimento por prazos mais longos, como os tradicionais oferecidos pelo Tesouro:
“As pessoas podem investir com R$ 1 real. Em nenhum outro momento, eles (essas pessoas que não investem atualmente) entendiam que o Tesouro era pra eles. Acho que o Tesouro Reserva vai poder atingir um percentual maior da população.”
O secretário afirmou ainda que, apesar do questionamento sobre uma possível concorrência da nova plataforma com fundos de investimento, a proposta não é competir com outros produtos financeiros. O objetivo é complementar o mercado, acrescentou.
O novo produto tem semelhanças com os “cofrinhos” oferecidos por plataformas financeiras, mas com remuneração equivalente a 100% da Selic, o que, segundo Leal, dá ao pequeno investidor acesso às mesmas condições disponíveis para investidores institucionais.
A escolha do investimento depende do objetivo de cada pessoa, diz Francisco Augusto Lassalvia, VP de Negócios de Atacado do Banco do Brasil. Segundo ele, a principal vantagem é diversificar a carteira de acordo com o prazo e a finalidade de cada aplicação.
Incidência de IR
Apesar da liquidez diária, o Tesouro Reserva terá prazo de dez anos e limite máximo de investimento de R$ 500 mil por pessoa. O novo título deve ser mais rentável do que a poupança pelo menos até 2029, quando o mercado projeta Selic de 9,5% no fim do ano. Quando a taxa básica está acima de 8,5%, a caderneta rende 0,5% ao mês mais a taxa de referência. Em 2025, a valorização foi de 8,26%, quase sete pontos percentuais abaixo da taxa básica de juro, de 15% ao ano.
No Tesouro Direto, num título atrelado à Selic, haveria a mesma segurança e taxa maior, mesmo com o desconto do Imposto de Renda, que varia de acordo com o tempo da aplicação mas só incide sobre os rendimentos e na hora do saque.
O novo investimento se soma à estratégia do Tesouro Nacional de popularizar os títulos da dívida nacional. No início de 2023, o Tesouro lançou o Renda+, investimento que tem prazos acima de 20 anos, com foco em complemento à aposentadoria, permitindo que o investidor planeje uma data para descansar e receber um valor extra mensal por 20 anos.
Também lançado em 2023, o Tesouro Educa+ foi lançado com foco nos pais que desejam garantir um dinheiro extra aos filhos em idade escolar, permitindo receber a renda por 60 meses após o prazo escolhido.
Todos os títulos do Tesouro destinados à pessoa física terminaram 2025 com 3,4 milhões de investidores e um volume total de R$ 213,2 bilhões. A estimativa do Tesouro é que, com o novo título, o número de aplicadores possa superar os 10 milhões.
Hoje, a pessoa física responde por apenas 2% da dívida pública federal. Desde novembro do ano passado, os estudantes do ensino médio que recebem o Pé-de-Meia, programa para evitar a evasão escolar dando subsídio mensal aos estudantes, podem escolher aplicar o valor recebido no programa.
Nova plataforma
O Tesouro Reserva será o primeiro título de uma nova plataforma, gerida pela B3 e plugada aos bancos para que correntistas possam acessá-la aproveitando a conta bancária.
Não há informações de outros bancos para além do Banco do Brasil que estarão em breve conectados ao sistema do Tesouro. Outros bancos já demonstraram interesse em integrar a plataforma.
O novo investimento não terá a chamada marcação a mercado e sim renderá ao par, isto é, os títulos nunca terão oscilação negativa. Os outros títulos vendidos hoje pelo Tesouro possuem um determinado preço e uma taxa a ser alcançada apenas ao fim do prazo, mas eles podem ser vendidos antes com valor distinto do projetado no vencimento.
No meio do caminho, quando há desconfiança no mercado financeiro, as taxas aumentam, o que faz com que o preço do título caia naquele momento. Por conta dessa movimentação diária, o investidor pode ficar confuso e, em determinado dia, pode ver o título valendo menos do que ele pagou no início, ainda que tenha a remuneração esperada fixa ao fim do prazo.
A ideia do novo espaço de negociação é garantir o acesso de quem não tem disponibilidade para realizar as operações no horário atual de compras do Tesouro Direto, em dias úteis, entre 9h e 18h. A nova plataforma vai, gradualmente, inutilizar a atual, que possui restrição no horário de funcionamento, com a migração dos títulos atuais e a aderência de novas instituições financeiras acontecendo de forma paulatina.
Ainda não há prazo para toda a migração justamente por conta da marcação a mercado de outros títulos, como os atrelados à inflação, já que as taxas variam ao longo dos pregões de negociação e são fechadas às 18h.
Foto: Freepik
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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