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Operação 'Compliance Zero'

BC decreta liquidação da Reag, suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master

Liquidação ocorre um dia após nova fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes e lavagem de dinheiro

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  • 15/01/26 22:00
BC decreta liquidação da Reag, suspeita de fraudes envolvendo o Banco Master

São Paulo, SP - O Banco Central (BC) decretou nesta quinta-feira a liquidação extrajudicial da Reag Investimentos. A instituição foi fundada pelo empresário João Carlos Mansur, que foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.


Esta etapa concentra as atenções justamente nas relações entre o banco de Daniel Vorcaro e os fundos administrados pela Reag, cujo nome atual é CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. Como mostrou o colunista Lauro Jardim, o executivo estava fora do país.


A decisão do BC foi formalizada por meio de ato assinado pelo presidente da autarquia, Gabriel Galípolo. O documento aponta violações relevantes às normas que regem o funcionamento das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN).


"A decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN", disse o BC em nota.

A liquidação atinge a administradora e não encerra os fundos, que precisarão buscar outras gestoras.


Motivos para a liquidação


Segundo pessoas com conhecimento no assunto, os motivos que levaram à liquidação da Reag incluem grave violação às leis e normas, em especial ao gerenciamento de riscos, compliance e auditoria interna.


Além disso, também foi levada em conta a participação do veículo como facilitador de ilícitos e o histórico de ocorrências no sentido de afetar o Sistema Financeiro Nacional e afetar negativamente interesses dos mercados financeiros e de capitais.


As investigações indicam que o Banco Master, que teve sua liquidação decretada em 18 de novembro do ano passado, concedia empréstimos a empresas que, posteriormente reaplicavam recursos em fundos administrados pela Reag.


Depois disso, o caminho do dinheiro mostra que os recursos eram transferidos de um fundo a outro por meio de uma série de transações-relâmpago. Os fundos eram compostos por papéis de baixo valor.


A cada injeção de recursos, os ativos do fundo eram reavaliados. Ao fim do processo, registrava-se no papel uma escalada de "ganhos imaginários". Em uma dessas operações, revelada pelo GLOBO, a valorização somou ao fim 10.502.205%, um patamar que não encontra respaldo na realidade.


R$ 325 bilhões em investimentos


De acordo com ranking de patrimônio líquido da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a Reag aparece como a oitava maior instituição, com um total de investimentos de R$ 325 bilhões.


A Reag já tinha entrado no foco das investigações de outra operação, a Carbono Oculto, que apura os laços econômicos do Primeiro Comando da Capital (PCC), como no setor de combustíveis. A gestora vinha afirmando anteriormente que não há menção de autoridade sobre relação com o PCC.


O Banco Central nomeou como liquidante Antonio Pereira de Souza, da APS Serviços Especializados de Apoio Administrativo Ltda., que terá amplos poderes para administrar e conduzir o processo de encerramento das atividades da instituição. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis durante a liquidação.


O BC ainda informou que continuará adotando “todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades”, o que pode resultar na aplicação de sanções administrativas e no envio de informações a outras autoridades competentes, conforme previsto em lei.


Com a decretação da liquidação extrajudicial, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição, medida que visa preservar recursos para eventual ressarcimento de credores.


Foto: AFP

(Com O Globo)

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.