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ESPIONAGEM

Cibercrime, ataque fantasma que torna o Brasil vulnerável e bastante desejado

Inteligência do Exército detectou 754 bilhões de tentativas de infiltrações nos sistemas digitais brasileiros em 2025.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 26/07/26 12:00
Cibercrime, ataque fantasma que torna o Brasil vulnerável e bastante desejado
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Brasil está sob uma onda de ataques que todos os dias ceifa milhares de vidas sem disparar um único tiro na linha de frente: o cibercrime. Esta semana, o serviço de inteligência do Exército Brasileiro, CIE, publicou dados assustadores sobre as ameaças que se espalham por diferentes setores dos serviços públicos e privados em atividade no País.

 

Ataques envolvendo espionagem e desinformação comprometem soberania do Estado e não apenas a segurança do cidadão/Fotos: Divulgação.

Em 2025, os dados do Exército registraram mais de 754 bilhões de tentativas de intrusão em sistemas cibernéticos do Brasil. Muitas delas, inclusive, bem sucedidas - seja pela fragilidade das instituições, seja pela superioridade das ferramentas utilizadas pelos criminosos.

Ainda de acordo com o CIE, as ameaças são híbridas, praticadas por atores estatais e não estatais, e por razões ideológicas ou financeiras. Para um ponto mais grave, ataques envolvendo espionagem, desinformação e o posicionamento de infraestruturas críticas passam a comprometer a soberania do Estado, e não mais apenas a segurança do cidadão.

Um passo atrás, sempre

O sistema de inteligência do Exército foi montado em cima de fontes humanas, mas, desde 2010, uma enxurrada de fontes tecnológicas mudou o trabalho do órgão, impondo o desafio da capacitação. A instituição afirma que um operador cibernético demora em torno de cinco anos para ser formado nas forças militares, além de outros R$ 300 mil em gastos com capacitação.

O problema é que a organização dos grupos criminosos que realizam ataques cibernéticos não têm limite de pessoal, mão-de-obra, nacionalidade e de investimento para aprimorar seus operadores. O investimento feito pelo setor público esbarra na burocracia própria do setor público, garantindo que os criminosos estejam sempre muitos passos à frente de suas vítimas.

O braço do crime

As ameaças cibernéticas que recaem sobre o País são custeadas e comandas por bandos organizados e organizações criminosas. Muitos deles com “controle territorial limitado, desafiando o Estado e gerando instabilidade social”, afirma o documento emitido pelo órgão. As ações desses grupos transcendem barreiras geográficas e colocam o País no centro estratégico de uma cadeia que envolve, ainda, o garimpo ilegal e o tráfico de drogas.

O Brasil está cercado pelos três maiores produtores de cocaína do mundo: Colômbia, Peru e Bolívia e pelo maior produtor de maconha, o Paraguai. Para que toda essa droga chegue à Europa e Ásia, o caminho mais fácil é passar pelo Brasil. Um território localizado exatamente dentro do fluxo da cadeia logística.

Ainda de acordo com o relatório do Exército, o PCC, que domina a Rota Caipira da droga, manteria contatos com cinco grupos criminosos que atuam no Peru e na Bolívia e com o venezuelano Tren de Aragua, com atuação em Roraima; enquanto o CV manteria relações com um cartel peruano e com dois dos Grupos Armados Organizados Residuais (GAOR), formados por dissidentes das Farc, explorando a Rota do Solimões para exportar cocaína para a Europa, Ásia, África e Oceania.

Cifras assustadoras

Pelos cálculos do CIE, só o mercado interno brasileiro movimenta cerca de 8 mil toneladas por ano de maconha e skunk e em torno de 170 a 200 toneladas de cocaína, o que geraria uma receita bruta de R$ 30 bilhões. A inteligência estima que, no mínimo, 250 toneladas de cocaína saem por ano pelo Brasil, o que daria uma receita bruta de mais ou menos 50 bilhões de reais ao ano.

Na área da Cabeça do Cachorro, na Amazônia, os três principais grupos colombianos em articulação com o CV não atuam apenas no narcotráfico, mas também sobre a mineração ilegal e a extorsões em território nacional. Trata-se de um negócio que ameaça a soberania do Brasil de maneira limitada, incluindo a política de Defesa.

Problemas cada vez mais expostos não apenas pelos órgãos públicos, mas também pela imprensa, que tem revelado a origem, a rota e as consequências desses crimes em conteúdo que chegam a todos, inclusive aos governantes, que seguem inertes não por indiferença, mas por pura inferioridade estrutural e tecnológica.

Papo Reto

·A pré-candidata do Psol ao governo do Pará, Araceli Lemos (foto), acionou o Ministério Público Eleitoral para investigar uma suposta rede de perfis falsos que estaria atuando contra sua pré-campanha. 

·A representação aponta indícios de violência política de gênero e diz que mais de mil contas com características de robôs passaram a segui-la em poucas horas, levantando suspeitas de uma ação digital coordenada.

·Segundo o documento, entre os dias 14 e 15 de julho, o perfil oficial de Araceli na plataforma Instagram passou a receber, em curto intervalo de tempo, mais de mil novos seguidores com características semelhantes às de contas automatizadas ou falsas. 

·A representação afirma que os perfis apresentavam padrões repetitivos de criação recente, nomes aleatórios, ausência de publicações e comportamento típico de redes automatizadas e de operação em rede.

·A primeira-dama Janja publicou um vídeo nas redes sociais ao som da música Fire, do grupo sul-coreano BTS, em meio à repercussão de uma polêmica envolvendo críticas à banda. 

·A senadora Leila Barros defendeu a busca por equilíbrio entre inovação tecnológica e segurança jurídica durante audiência pública no Senado sobre a regulação dos aplicativos de transporte. 

·Medida provisória publicada pelo governo destina R$ 547 milhões ao ressarcimento de aposentados e pensionistas prejudicados por descontos indevidos. 

·Poucos dias após lançar sua pré-candidatura ao Senado pelo Maranhão, Pedro Lucas Fernandes anunciou que pretende concorrer à reeleição na Câmara. A mudança de planos se deu após a entrada em campo da deputada Roseana Sarney.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.