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GESTÃO EM RECUO

Exoneração fecha ciclo de desgaste na área de educação da Prefeitura de Belém

Saída de Patrick Tranjan consolida fim de grupo ligado a Rossieli Soares, após sequência de crises na rede municipal e estadual

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 11/04/26 08:30
Exoneração fecha ciclo de desgaste na área de educação da Prefeitura de Belém
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exoneração de Patrick Tranjan, publicada no Diário Oficial de Belém na segunda-feira, 6, encerra formalmente um ciclo de desgaste que já se arrastava há meses dentro da gestão do prefeito Igor Normando, do MDB.

 

Arranjo da Prefeitura de Belém para resolver a crise na educação incluiu a troca de Tranjan por Beatriz Marrone, mas também não deu certo/Fotos: Divulgação.

Embora a saída já fosse esperada nos bastidores, o movimento foi conduzido sem ruptura explícita. Tranjan havia se licenciado do cargo e não retornou - um desfecho interpretado por interlocutores como uma solução negociada, capaz de reduzir o impacto político de sua passagem pela administração municipal.

Herança e importação

A exoneração também simboliza o esvaziamento definitivo do grupo político-administrativo associado a Rossieli Soares, que havia desembarcado no Pará a partir de 2023, inicialmente no governo de Helder Barbalho.

Com trajetória que inclui passagens pelos governos do Amazonas, São Paulo e pelo Ministério da Educação, Rossieli chegou ao Estado com equipe própria. Parte desse núcleo foi posteriormente absorvida pela Prefeitura de Belém no início de 2025.

A experiência, no entanto, acumulou episódios de desgaste. O mais sensível ocorreu no início de 2025, quando mudanças envolvendo o ensino em áreas indígenas - especialmente no modelo do Some - provocaram reação de lideranças tradicionais, com ocupação da sede da Secretaria de Educação por mais de um mês. Diante da pressão, o governo recuou. Rossieli deixou o Pará em junho daquele ano.

Passagem turbulenta

Na esfera municipal, Tranjan assumiu a Secretaria de Educação de Belém em janeiro de 2025. A gestão foi marcada por decisões que enfrentaram resistência de servidores e segmentos da comunidade escolar. Entre os episódios mais criticados estão a revisão de contratos com editoras locais, com substituição de títulos utilizados na rede; mudanças administrativas e de carga horária de professores; e a reestruturação envolvendo a Fundação Bosque, em Outeiro.

O ambiente de tensão se agravou com a aprovação, na Câmara Municipal, da Lei nº 10.277/2026 - pacote de medidas administrativas que gerou reação de servidores de diferentes áreas. Em janeiro, greves atingiram educação, saúde e assistência social.

Parte das medidas chegou a ser suspensa pela Justiça por questionamentos formais no processo legislativo, decisão posteriormente contestada pela prefeitura.

Trocas em série

Após deixar a Semec, Tranjan foi substituído por sua então adjunta, Beatriz Morrone, que permaneceu pouco tempo no cargo. Licenciada, não retornou à função. A pasta acabou sendo assumida pelo vereador e advogado Jorge Vaz, marcando mais uma troca em curto intervalo - sinal de instabilidade na condução da política educacional do município.

Desgaste ampliado

Paralelamente, Tranjan acumulava a Secretaria de Planejamento e Gestão, onde participou da formulação das medidas administrativas que atingiram o funcionalismo. Na área, críticas recorrentes apontavam falta de transparência em decisões e dificuldades de interlocução com categorias afetadas. Com a saída, a secretaria passou a ser conduzida interinamente pelo titular da Fazenda municipal.

Pressão de controle

Mesmo fora dos cargos, decisões tomadas durante a gestão seguem sob análise. Um dos casos envolve tentativa de aquisição de uniformes escolares, estimada em cerca de R$ 19 milhões, por meio de adesão a ata de registro de preços de outro estado. O processo foi suspenso pelo Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), que apontou inconsistências e determinou esclarecimentos. Os ex-gestores foram notificados a apresentar defesa e complementar informações. O processo segue em tramitação.

A exoneração de Tranjan não é um fato isolado. Ela consolida o fim de um ciclo político-administrativo que começou no governo estadual, migrou para a capital e terminou sob desgaste acumulado - com reflexos ainda em aberto na rede pública e nos órgãos de controle.

Papo Reto

Ex-presidente da CPH, o santareno Hilton Aguiar (foto) não anda lá muito satisfeito com os acordos que lhe garantiriam indicar o filho para o cargo, como se não soube que, palavras, o vento leva.

•O cargo foi ocupado pelo ex-vereador de Marituba Anderson Rocha, supostamente indicado pela prefeita Patrícia Alencar.

Carol Magalhães, mãe do jornalista Igor Fonseca e irmã da também jornalista Miriam Magalhães, foi diagnosticada recentemente com um câncer raro e agressivo em evolução. 

•O plano de saúde dela está em período de carência e a família foi orientada a iniciar o tratamento de forma particular, imediatamente. O custo é de R$ 84 mil. 

A família começou uma campanha para arrecadar esse valor. A chave PIX de doações é 676.100.212-53, para Ana Carolina Magalhães da Fonseca.  

•O STF encerrou o segundo dia de julgamento sobre a definição do governo-tampão do Rio de Janeiro com quatro votos a um pela eleição indireta. 

O ministro carioca Luiz Fux saiu em defesa da classe política fluminense durante julgamento no STF e afirmou que não se pode generalizar a crise do Estado. 

•Segundo o ministro, há bons representantes no Rio e os escândalos não são exclusivos da política local, citando casos como Mensalão, Lava Jato, INSS e o próprio Banco Master para ilustrar que o problema é nacional. 

"De sorte que se esses políticos do Rio tiverem que ir para o inferno, eles vão acompanhados de altas autoridades", disparou.

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.