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GUERRA DE PODER

Hospital Ofir Loyola vira página: Thiago Araújo sai; controle é de Erick Monteiro

Disputa entre deputados da base do governo vinha desde a formação da atual cúpula da instituição, em fevereiro de 2025.

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 09/08/26 09:00
Hospital Ofir Loyola vira página: Thiago Araújo sai; controle é de Erick Monteiro
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 saída de Roberto Romário Carvalho Resque da estrutura de comando do Hospital Ofir Loyola abre mais um capítulo da disputa política que, nos bastidores, envolve os deputados estaduais Thiago Araújo, do Republicanos, e Erick Monteiro, do PSDB, pelo controle de uma das principais instituições públicas de saúde do Pará.

 

Disputa determina saída do deputado do Republicanos em meio a discordâncias sobre funcionamento do hospital/Fotos: Divulgação.

Ligado politicamente a Thiago Araújo, Resque ocupava a Superintendência do Instituto de Oncologia. Sua exoneração ocorre, segundo a justificativa interna atribuída à medida, sob a alegação de que ele estaria abordando servidores para pedir votos.

O episódio é mais uma face da disputa que começou a se desenhar em fevereiro de 2025, quando a nova estrutura de comando do hospital passou a ser associada aos grupos políticos dos dois parlamentares. Desde então, Thiago e Erick passaram a medir forças pelo controle de áreas estratégicas.

Grupos e poderes

A divisão política, segundo informações de bastidores e o relato concedido à Coluna Olavo Dutra, teria surgido a partir de um acordo político atribuído ao então governador Helder Barbalho, que teria destinado aos dois deputados espaços de influência na instituição.

Na configuração que se estabeleceu, Thiago Araújo ficou associado à área técnica e ao Instituto de Oncologia, enquanto Erick Monteiro ampliou sua influência sobre a estrutura administrativa e financeira.

Na direção-geral a indicação foi de Araújo, colocando o médico Heraldo Francisco da Costa Pedreira, o Eraldo Pedreira. Na área administrativa e financeira, Yan Ayres Aragão e Serrão passou a ocupar posição estratégica.

Os atos oficiais confirmam a presença dos nomes na estrutura do hospital. Eraldo Pedreira assumiu a direção-geral do hospital em fevereiro de 2025, enquanto Yan Serrão aparece na estrutura administrativa e financeira da instituição. A configuração deu origem a uma espécie de divisão informal de poder: de um lado, a área técnica e assistencial; de outro, a máquina administrativa, financeira e contratual.

O homem de Thiago

Romário Resque consolidou seu espaço na instituição em abril de 2025. Em ato assinado em 3 de abril daquele ano, a Casa Civil exonerou Ana Paula Borges de Souza do cargo de Superintendente do Instituto de Oncologia e nomeou Resque para substituí-la. A nomeação ocorreu no mesmo pacote de atos que retirou Resque do cargo de coordenador do Centro de Oncologia.

A ascensão reforçou sua associação com o grupo de Thiago Araújo. Antes de chegar à estrutura do hospital, Resque havia trabalhado na Assembleia Legislativa do Pará, no gabinete do deputado.

Saída de cena

Documentos posteriores mostram que ele permaneceu ativo na estrutura do hospital. Em fevereiro de 2026, por exemplo, o Ofir Loyola autorizou sua participação, junto com outra servidora, em evento de capacitação em gestão pública em Florianópolis. Em março, seu nome ainda aparecia em ato oficial como servidor ocupante de cargo comissionado de advogado e coordenador de contratos. Em abril, ele também aparece em ato relacionado à fiscalização de contratos da instituição.

 Tapinha nas costas

Agora, sua saída representa a perda de um dos principais nomes associados ao grupo de Thiago dentro da estrutura do hospital. Mas a guerra pelo controle do não começou com a exoneração de Resque. A própria coluna já havia revelado a movimentação dos dois deputados em torno do hospital, apontando uma disputa por espaços de poder na instituição. Segundo a publicação, parlamentares da base governista passaram a cobrar reconhecimento político pelos apoios oferecidos ao MDB nas eleições municipais de 2024.

Rompimento, enfim

Erick Monteiro rompeu politicamente com o prefeito de Ananindeua, Daniel Santos, que passou a fazer oposição ao grupo de Helder Barbalho na disputa política de 2026. Thiago Araújo, por sua vez, havia disputado a Prefeitura de Belém e terminado a eleição com mais de 7% dos votos válidos.

Nesse cenário, o Ofir Loyola apareceu como uma das estruturas cobiçadas pelos dois parlamentares. Um dos pontos de tensão seria justamente o grau de autonomia pretendido pelo deputado. Conforme relatos no local, Erick Monteiro buscaria o controle administrativo do hospital no modelo político conhecido como “porteira fechada”, com liberdade para indicar sua equipe.

Tudo em casa

Thiago, por outro lado, teria ampliado sua presença na área técnica e no Instituto de Oncologia, onde Resque passou a ocupar uma posição estratégica. Nesse cenário é que a exoneração ganha dimensão política.

A justificativa atribuída à saída - a suposta abordagem de servidores para pedir votos para Thiago Araújo - coloca a disputa entre os grupos dentro de um ambiente ainda mais sensível, porque envolve uma instituição pública de saúde e servidores do Estado. Politicamente, entretanto, a saída produz um efeito concreto: reduz a presença de um nome identificado com o grupo de Thiago na estrutura do Ofir Loyola.

A engrenagem gira

Do outro lado permanece Yan Serrão, associado ao grupo de Erick Monteiro e responsável pela área administrativa e financeira. É justamente essa diretoria que concentra parte importante da engrenagem operacional do hospital, incluindo questões administrativas, contratos e gestão de recursos.

No comando-geral continua Eraldo Pedreira, médico que assumiu a direção na formação da atual estrutura e que permanece à frente da instituição.

 A razão da cobiça

A disputa ganha dimensão pelo peso estratégico do Ofir Loyola. A instituição é credenciada como Centro de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (Cacon) e atende pacientes de diferentes regiões do Pará e da Amazônia, concentrando serviços especializados, profissionais de saúde, contratos, fornecedores e uma grande estrutura administrativa. É justamente essa dimensão que transforma o hospital em um ativo político relevante. Mais do que uma direção, o controle de setores do Ofir Loyola significa influência sobre uma das maiores estruturas públicas de saúde do Estado.

A questão que permanece nos bastidores é a mesma que acompanha a disputa desde o início: quem, afinal, controla o Ofir Loyola?

 Papo Reto

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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.