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DESCASO E DESRESPEITO

Suposto Abandono, farra de verbas e clima de perseguição em escola no Prata

Professores, moradores e membros do conselho escolar relatam precariedade na Escola João Paulo II, na área rural de Igarapé-Açu, na Colônia do Prata

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  • Redação | Coluna Olavo Dutra
  • 18/05/26 08:00
Suposto Abandono, farra de verbas e clima de perseguição em escola no Prata
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Escola Estadual de Ensino Fundamental de Tempo Integral João Paulo II, localizada na Vila Santo Antônio do Prata, na zona rural de Igarapé-Açu, virou alvo de uma série de denúncias que apontam desde abandono estrutural até supostas irregularidades administrativas, financeiras e perseguições dentro da unidade de ensino.

Suspeita da comunidade escolar é de que os recursos estão sendo mal administrados ou, sequer, chegam à direção da unidade/Foto: Divulgação
O conjunto de documentos, declarações, boletins de ocorrência e registros fotográficos obtidos pela reportagem mostra um cenário de deterioração física da escola, acusações de falta de transparência na aplicação de recursos públicos e denúncias envolvendo a diretora Nagiane Gabriela Silva Salomão, que também preside o Conselho Escolar.

As denúncias, inclusive para o Ministério Público do Eatado do Pará (MPPA), foram formalizadas pela professora e tesoureira do conselho escolar, Fabiana Cristina Bernardino Silva, que afirma ter sido impedida de acessar informações financeiras da própria escola. 

Suspeita de desvios

Segundo a professora, a direção teria negado autorização para consulta bancária dos recursos do conselho e, posteriormente, bloqueado seu contato no aplicativo WhatsApp após insistência por esclarecimentos.

O dossiê entregue por Fabiana à Secretaria de Estado de Educação (Seduc) e ao Ministério Público relata movimentações bancárias supostamente feitas sem autorização da tesouraria, incluindo TEDs que somariam mais de R$ 17 mil.

Há ainda suspeitas de falsificação de assinatura em ofícios que liberaram pagamentos de R$ 24 mil e R$ 6 mil.

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Compras inexistentes

Outro ponto grave envolve uma prestação de contas de R$ 3 mil referente à compra de materiais da empresa Infoesporte. A denunciante afirma que os itens nunca chegaram à escola e que, até hoje, eventos escolares continuam sendo custeados pelos próprios professores.

As imagens anexadas ao documento revelam banheiros em situação precária, esgoto exposto, infiltrações, áreas alagadas, fossas abertas, canais com água parada, entulho acumulado, depósitos abarrotados de carteiras quebradas e estruturas deterioradas. Em uma das fotos, um quadro de energia aparece aberto, com fiação exposta.

Sem prestar contas

Há também denúncias de que a escola estaria há anos sem receber recursos do Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE). Segundo declaração apresentada, o último repasse federal teria ocorrido em 2015, supostamente por ausência de prestação de contas da gestão escolar.

Além das denúncias financeiras, documentos relatam possível irregularidade no quadro de professores. Entre os casos apontados estão suspeitas de acúmulo incompatível de cargos públicos, professores com supostas incompatibilidades de horário e registros de frequência questionados.

Servidores “onipresentes”

Uma das denúncias cita uma professora que teria carga horária de 200 horas no Atendimento Educacional Especializado (AEE) da escola João Paulo II e mais 150 horas como coordenadora pedagógica em outra instituição, além de estágio de psicologia em Castanhal.

Outro documento aponta um professor concursado em Marapanim como alvo de questionamentos sobre compatibilidade de horários, afastamento supostamente irregular por licença médica e substituição informal em sala de aula enquanto continuaria recebendo remuneração.

Moradores também reclamam

Moradores da comunidade também passaram a denunciar a situação da escola. Um abaixo-assinado foi encaminhado à 9ª DRE de Maracanã e à Prefeitura de Igarapé-Açu pedindo a substituição da direção da unidade.

O caso ganhou repercussão local após vídeos gravados por moradores da região, incluindo o morador Júnior Borges, de Santa Maria do Pará, denunciando as supostas irregularidades na gestão escolar.

Irregularidades conhecidas

As denúncias também atingem a 9ª Diretoria Regional de Ensino de Maracanã. Em declarações anexadas ao material, Fabiana afirma que a DRE teria conhecimento das irregularidades, mas não teria tomado providências administrativas. A diretora regional Wilza Maria de Pinho Moraes é citada nominalmente nos documentos.

Até o momento, não há informação pública sobre abertura de processo disciplinar ou afastamento da gestão escolar. O caso foi encaminhado ao Ministério Público e à Polícia Civil para apuração.


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Olavo Dutra

Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.