Governo estima entre 30 a 40 minutos tempo de viagem de Outeiro a Belém com nova ponte

Estimativa se refere ao percurso que começa no complexo portuário e termina no Parque da Cidade, coração da Conferência do Clima da ONU.

26/08/2025, 08:00

Obras prometem acesso mais rápido de Outeiro a Belém; Marinha não vê irregularidades no projeto da nova ponte de Icoaraci/Fotos: Divulgação-Redes Sociais.


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Porto de Outeiro entrou na pauta da Conferência da ONU como alternativa para receber navios de cruzeiro - dada à inviabilidade de dragagem, o tempo e os custos dessa operação no Porto de Belém - e hospedar participantes do evento, mas trouxe a reboque preocupações quanto à segurança e à dificuldade de acesso. Para o governo do Estado, este último item será contornado com a construção da ponte número 2 na região da Caratateua, ligando o Distrito de Outeiro a Belém em cerca de 30, 40 minutos, segundo as estimativas oficiais.  

A contratação de dois transatlânticos, o MSC “Seaview” e o “Costa Diadema”, com capacidade para mais de 6 mil pessoas em cerca de 3,9 mil cabines, se encaixou na solução para minimizar os problemas de hospedagem, mas, superado esse caso, restou o problema do tempo que os participantes irão levar para chegar entre o porto o principal endereço da Conferência, o Parque da Cidade.

Ponte número 2  

A preocupação se agigantou depois que a nova ponte sobre o rio Maguari teve sua estrutura atingida por uma embarcação, duas semanas atrás, destruindo parte da estrutura. Na ocasião, o governo do Pará tratou de informar que o acidente ‘não atrasou e não irá atrasar’ a obra. “É importante deixar claro que não houve nenhum dano à estrutura da ponte, tanto na parte de construção do tabuleiro, quanto nos pilares. O ocorrido foi de dano material em relação aos equipamentos que são utilizados na obra. Não houve vítimas, e seguimos em ritmo acelerado para entregar a obra à população no menor tempo possível”, afirmou secretário de Infraestrutura e Logística, Adler Silveira. Quem vê a ponte, porém, de longe ou de perto, duvida da previsão, dado que o evento está previsto de 10 a 21 de novembro, além da polêmica sobre se o projeto atende ou não às recomendações da navegação fluvial.

Como dois e dois

Ouvido pela Coluna Olavo Dutra, contudo, o comando da Capitania dos Portos afasta essa possibilidade: a estrutura atende às especificações, embora aguarde para se manifestar oficialmente depois da conclusão do inquérito que investiga o caso, previsto para 40 dias desde o acidente, ou meados de setembro. Enquanto isso, as águas podem continuar passando sob a ponte e as embarcações, pelos vão autorizados.  

Tempo de viagem 

No caso do governo do Pará, a aposta está na conclusão da obra de mais de R$ 100 milhões para cumprir a promessa de trajeto em 30 ou 40 minutos até os pavilhões da cúpula, no Parque da Cidade, próximo ao Aeroporto de Belém, de cerca de 20 km.

Somente nas obras de adaptação do Porto de Outeiro, também conhecido como Porto da Sotave, o governo federal está investindo cerca de R$ 180 milhões em melhorias que incluem a instalação de um píer de 710 metros, previsto para ser entregue em 14 de outubro, a menos de um mês da COP30.

Apesar da promessa de que o deslocamento dos delegados de países hospedados nos navios até o bairro da Sacramenta, onde estão sendo erguidos os pavilhões oficiais, levará de 30 a 40 minutos ainda levanta dúvidas, mesmo com um corredor exclusivo de trânsito para esse deslocamento.  

Uma das providências do governo do Pará foi estabelecer medidas para reduzir o tráfego nos dias da Conferência, por isso, haverá férias escolares para alunos das redes pública estadual, municipal e privada em Belém, Ananindeua e Marituba. Além disso, será implementado trabalho remoto para servidores estaduais que não atuam em serviços essenciais. "Desta forma, deve-se reduzir o trânsito de pessoas e veículos na cidade", afirma a nota da assessoria. 

Gargalos históricos

Ao jornal “Correio Braziliense”, de Brasília, a Secretaria de Comunicação da Presidência da República enviou nota oficial garantindo que o trajeto entre Outeiro e Belém será feito no prazo máximo de meia hora. Segundo a Secretaria, “os navios ficarão atracados no píer com acesso direto à terra e não haverá operação com lanchas. A obra de ampliação do píer é justamente para permitir a atracação de grandes navios”.  

Ainda segundo a Secom, não há problemas com a profundidade de calados. "O Terminal Portuário de Outeiro tem profundidade natural suficiente para a atracação segura de navios”, informa. Segundo a nota, os participantes sairão dos navios e entrarão, ordenadamente, nos cerca de 100 ônibus previstos para a operação. Os veículos irão usar o caminho do BRT na avenida Augusto Montenegro, que servirá como faixa exclusiva para ônibus até o Parque da Cidade. 

O que a Secom não explicou é como será o trajeto dessa grande quantidade de ônibus pelas ruas estreitas de Icoaraci antes de chegar ao BRT. Se, como se sabe, essas ruas são verdadeiros gargalos para o trânsito normal, é possível imaginar como ficarão com o tráfego de ônibus, veículos maiores.  

Outro ponto levantado é o tempo de desembarque dos transatlânticos e o embarque em ônibus que continuam sendo etapas demoradas e inevitáveis, mesmo que, supostamente, o trajeto terrestre possa ser reduzido.  “O desembarque de passageiros de grandes cruzeiros é um processo complexo”, disse o cabo aposentado da Marinha do Brasil Marcus Santos à reportagem. "Não é só abrir a porta do navio e deixar as pessoas saírem. Cada etapa exige coordenação, segurança e controle, e qualquer atraso, por menor que seja, se acumula no tempo final", explicou. 

 Não se entendem  

O que ocorre também é que há um desencontro de informações entre as entidades responsáveis.  Diferentemente do que informou o Ministério de Portos e Aeroportos, de que a obras no Porto de Outeiro, que começaram em abril passado, estão 50% finalizadas, a Secom garante que o avanço é superior. “As obras ultrapassaram 70% dos serviços concluídos”, informou a pasta à reportagem (Com informações do jornal Correio Braziliense). 

Papo Reto

•Ainda bem que acabou antes do tempo previsto. 

Mantendo a tradição, a Feira do Livro vai homenagear duas pessoas este ano - a cantora e compositora Nazaré Pereira e o escritor Luiz Peixoto, o “Jabutigão” (foto)

•Nas redes sociais, porém, a escolha de Peixoto não parece ter caído bem para algumas pessoas. 

Postagem no Instagram de um conhecido professor paraense sugere que a Feira precisa ser reavaliada e que “homenagear autor que tem obra de qualidade duvidosa “é dose”. 

•E segue: “Literatura não é produto frufru ou somente prateleira de best seller”. Pano rápido.

É o que dá ser especialista em Bruno de Menezes, como entenderão os bons entendedores.

•Incrível como emergem novos líderes na OAB do Pará em tempos de quinto constitucional, ainda que antes das escolhas pertinentes para a ocupação da vaga de desembargador no Tribunal de Justiça.

O detalhe é que, bem votados ou não, eleitos ou não, os novos líderes afundam aqueles que ocupam cargos de direção na Ordem se achando a melhor bolacha do pacote.    

•O presidente Lula tem revelado, internamente, enorme preocupação com a repercussão da temporada de queimadas, prestes a chegar, durante a COP30.

Por isso chamou governadores: compartilha a angústia e deflagra um certo "estado de alerta" e vigilância para evitar "surpresas desagradáveis".

•Diz a oposição que Lula não está nem um pouco preocupado com a queima dos biomas, mas tão somente com os possíveis arranhões de imagem.

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