Execução de sentença da Justiça do Trabalho determina bloqueio imediato de R$ 590.174,67 saídos direto dos aluguéis que o clube recebe.
om 121 anos de fundação, o Pará Clube, um dos mais antigos de Belém, pode entrar em breve para a nostálgica lista do “Belém já teve”. Em situação considerada falimentar, o clube, fundado em 1903, levou um novo tombo, com um mandado de execução de sentença da Justiça do Trabalho com valor que ultrapassa meio milhão de reais. A ordem para o bloqueio imediato de R$ 590.174,67 foi emitida na última segunda-feira, 26, pela 3ª Vara do Trabalho de Belém, em cumprimento à sentença judicial à qual o clube havia sido condenado em junho do ano passado.

A ação trabalhista foi movida pelo
Sindicato dos Trabalhadores em Clubes Recreativos do em favor de onze
colaboradores do Pará Clube, que há muito tempo está em crise financeira, mas,
desde o ano passado, vem respirando com ajuda de aparelhos, como o aluguel
mensal de áreas da sua sede para o Grupo Revemar, a quem a Justiça do Trabalho
também destinou a intimação para o bloqueio dos valores dos aluguéis mensais,
que, somados, giram em torno de R$ 37 mil, e agora não poderão mais cair na
conta do clube, mas em uma conta judicial assinada pelo oficial de Justiça que
atua no cumprimento da sentença, até alcançar o total de R$ 590.174,67
definidos pela Justiça.
Além das áreas alugadas para o Grupo
Revemar, onde a empresa mantém sua loja de veículos seminovos, ano passado o
Pará Clube perdeu uma parte importante de sua área total, já que todo o terreno
que comporta as quadras esportivas, de frente para a travessa Lomas Valentinas,
foi leiloada também pela Justiça do Trabalho.
No início do segundo semestre de
2023, a área foi arrematada por R$ 2,7 milhões pela empresa esportiva Byblos,
que, segundo apuração da coluna, pertence ao deputado estadual Gustavo Sefer, do
PSD.
Hoje, o Pará Clube recebe pouco ou
quase nenhum recurso de associados que, aliás, caíram de forma drástica nos
últimos dois anos e meio. Em meados de 2022, o Pará Clube trabalhava com uma
lista de 750 associados, que caíram quase 400% nesse intervalo, e hoje tem
cerca de 200 associados, mas não há informações claras sobre pagamentos de
mensalidades ou taxas de inadimplência. O que ainda vinha garantindo alguma
renda para o clube eram justamente os aluguéis.
A coluna também apurou que muito da
derrocada do Pará Clube se deve a um forte esquema de práticas de agiotagem que
reinam há muito tempo no clube. Embora a prática de agiotagem seja crime, e a
Justiça tenha sempre a desculpa de que “precisa ser provocada”, a prática acaba
sendo livre no clube, inclusive de forma recorrente por membros - antigos e
atuais - da diretoria, com taxas que podem variar de 10% ao mês e até de 10%
por semana.
Assim, quando o clube está no
perrengue de pagar uma conta alta, chega um bom samaritano, empresta o dinheiro
e, semana que vem, quando entra algum valor no clube, o “santo” retira sua
parte, naturalmente já com o altíssimo ágio. Ainda assim, isso não livrou o
Pará Clube de ter sua conta de energia cortada na semana passada. A luz foi
restabelecida três dias depois, mas ainda não se sabe a que preço, ou a qual
percentual de ágio.
Mesmo com toda a crise financeira, o
Pará Clube resolveu manter a “pose de rainha” também este ano, quando integrou
o tradicional concurso “Rainha das Rainhas do Carnaval Paraense”, o que só foi
possível, segundo fonte da coluna, porque normalmente no concurso é a família
quem acaba bancando os custos da participação da candidata. Neste ano, o Pará
Clube classificou sua candidata como uma das princesas, ficando em quarta
colocação no concurso.
O Pará Clube é um dos mais antigos de
Belém, fundado em 5 de abril de 1903, com o nome de “Sport Pará Club”, com um
antigo escudo de futebol com o qual, quatro anos depois, o clube foi um dos
fundadores da “Liga Paraense de Foot-ball”, no ano de 1907, segundo informações
do site “Parazão Centenário”.
No ano seguinte, o Pará Clube chegou
a disputar o primeiro campeonato paraense, realizado no ano de 1908. O único
resultado da equipe conhecido naquele certame foi uma goleada por 5×2 diante da
União Sportiva, no dia 22/11/1908, “no campo de São Braz”.
Hoje, o Pará Clube corre o risco de
entrar para a lista dos clubes que Belém já teve, como o Iate Clube do Pará, o
Círculo Militar e o Tele Clube, entre outros.
Jornalista, natural de Belterra, oeste do Pará, com 48 anos de profissão e passagens pelos jornais A Província do Pará, Diário do Pará e O Liberal.
Comentários
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